A Uefa terá uma plataforma de streaming própria e a usará para aumentar a visibilidade de categorias como o futebol feminino e o futsal, por exemplo. A revelação foi feita por Guy-Laurent Epstein, diretor de marketing da Uefa, em uma entrevista ao site espanhol Palco 23.

“Vamos criar nosso próprio OTT (streaming) para complementar a TV paga. Ele ainda não está pronto, mas estamos construindo nossa própria plataforma OTT para realmente ir além do conteúdo atual”, afirmou o executivo.

Guy-Laurent Epstein (à esquerda) durante o anúncio da Hankook Tires como nova patrocinadora da Liga Europa. Foto: Reprodução

De acordo com a publicação, a Uefa acredita que as transmissões ao vivo de curto e médio prazo das principais competições (Liga dos Campeões e Liga Europa) permanecerão nas mãos das emissoras de televisão, responsáveis por “engordar” a receita da entidade com a compra dos direitos.

“Nós não queremos competir com elas (os canais de televisão), mas aproveitar a ampla oferta de conteúdo que temos, como resumos, jogos em delay, imagens dos bastidores e competições de futsal, futebol feminino e de categorias de base, cujas transmissões geralmente não têm a mesma visibilidade que os torneios masculinos. Além disso, serviria para ajudar as 55 federações que fazem parte da Uefa a aumentarem suas visibilidades”, explicou Epstein.

Além disso, ainda há mais um objetivo embutido na estratégia: adaptar a Uefa ao “novo” e cada vez mais importante ambiente digital.

“A plataforma nos dará a possibilidade de falar diretamente com os fãs. É uma grande mudança na forma como construímos nossa comunidade. Trata-se de um mundo de oportunidades, mas também desafios em uma indústria de esporte/entretenimento em que há aumento da concorrência para capturar a atenção do público com ligas domésticas de outros esportes e novos serviços como Netflix. O panorama da mídia evoluiu muito e gera muitas oportunidades para estar sempre presente e ter conteúdo relevante para oferecer. Esporte é entretenimento e será cada vez mais”, revelou o diretor de marketing.

Por último, Epstein ainda acredita que o ambiente digital e as redes sociais são de extrema importância para os patrocinadores. Com uma plataforma de streaming, a chance de atrair cada vez mais marcas interessadas em ligar seus nomes às competições da Uefa, mesmo as de menor visibilidade, aumenta consideravelmente. Isso sem contar a possibilidade dos próprios torneios e também dos patrocinadores crescerem em mercados considerados estratégicos, como Estados Unidos e Ásia.

“Estamos interessados ​​em olhar mais para os Estados Unidos, obviamente, porque é um mercado muito importante. Nos próximos anos, o futebol irá desenvolver-se muito por lá pelo fato do país ser sede da Copa do Mundo que será disputada em 2026. Na Ásia, a diferença de fuso nos impede de aumentar o valor das transmissões ao vivo, por isso trabalharemos no aprimoramento dos resumos a serem consumidos pelos fãs, e a plataforma nos ajudará muito nesse objetivo”, concluiu.


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