Assim que as semifinais da Copa do Brasil foram definidas, uma das coisas que mais chamou atenção da imprensa e dos torcedores foi o fato de não haver times paulistas ou cariocas nessa fase da competição. O fato realmente é raro e só havia ocorrido outras duas vezes, em 1991 e 2016.

Dessa forma, ou a Globo transmitiria um filme, como fez diversas vezes nas noites de quarta-feira, ou teria que passar jogos sem os grandes de SP e RJ para todo o país, modelo que foi obrigada a adotar na Libertadores por conta do novo contrato com a Conmebol (os duelos de ida e volta entre Flamengo e Emelec pelas oitavas de final foram exibidos para todo o Brasil). A escolha foi pela segunda opção, em um claro movimento que a emissora tem feito de passar a transmitir um jogo nacionalmente.

A estratégia tem mostrado uma certa constância em termos de audiência. Em São Paulo, onde o torcedor não vê um jogo de um dos grandes do estado há um mês nas noites de quarta-feira, os números da Copa do Brasil se repetiram. Na semana passada, Cruzeiro x Internacional marcou 23 pontos, exatamente o mesmo número alcançado por Grêmio x Athletico-PR nesta quarta-feira (14), com 36% de participação dos televisores ligados no horário.

Grêmio x Athletico-PR teve transmissão para todo o Brasil pela Globo (Foto: Lucas Uebel / Grêmio)

No Rio de Janeiro, após alcançar a maior audiência da Libertadores em 11 anos, 43 pontos, com o jogo de volta entre Flamengo e Emelec, a audiência da Copa do Brasil despencou, apesar de ficar na mesma média que o estado vizinho. Cruzeiro x Internacional marcou 22 pontos, um a menos do que o alcançado por Grêmio x Athletico-PR, que teve participação de 37% dos televisores.

Nas próximas três semanas, acontecerá a mesma coisa. Por força de contrato, a Globo transmitirá os jogos de ida e volta da Libertadores entre Flamengo e Internacional para todo o Brasil nos dias 21 e 28. Depois, por opção, a volta entre Internacional e Cruzeiro pela Copa do Brasil no dia 4 de setembro. A tendência é que a audiência se mantenha constante em SP (que, no total, chegará a sete semanas sem um paulista na TV aberta no meio de semana) e ganhe bastante força no RJ, como aconteceu nos confrontos entre o time rubro-negro e o Emelec.

Segundo a medição do Ibope, cada ponto de audiência medido equivale a 73.015 residências (ou 200.766 pessoas) na Grande São Paulo. No Rio de Janeiro e região metropolitana, cada ponto é equivalente a 46.175 residências (ou 118.440 telespectadores).


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