Na última quinta-feira (18), a Odebrecht deixou oficialmente a gestão do Maracanã, e o estádio passou a ser gerido pela dupla Flamengo e Fluminense. Neste domingo (21), pela decisão do Campeonato Carioca, o time rubro-negro fez o primeiro jogo com a nova responsabilidade. E, na bilheteria, que deverá representar a principal fonte de renda do empreendimento neste ano, o resultado mostrou que tornar a arena sustentável será um enorme desafio.

Flamengo e Vasco jogaram para 48 mil pessoas, o que gerou uma renda de R$ 2,1 milhões. Mesmo com ingressos que partiam de R$ 32 para sócios-torcedores, tanto para flamenguistas quanto para vascaínos, o estádio não lotou; houve cadeiras vazias no setor destinado aos fãs da equipe de São Januário. Quem não era associado ao time, teve que arcar com R$ 80, no mínimo, para estar no Maracanã.

Foto: Reprodução / Twitter (@Flamengo)

A renda de R$ 2 milhões não pode ser considerada fraca no futebol brasileiro, mas é baixa ao considerar o outro principal mercado do Brasil. Em São Paulo, a Arena Corinthians recebeu 46,4 mil torcedores, mais de mil a menos que o Maracanã. O resultado da bilheteria, por outro lado, foi muito superior: R$ 5,1 milhões. Em Porto Alegre, no jogo entre Grêmio e Internacional, o faturamento também foi maior, com quase R$ 3 milhões para um público parecido, de 47,7 mil pagantes.

Com os custos altos de manutenção, uma maior bilheteria será fundamental para a dupla Flamengo e Fluminense arcar com o Maracanã. Os custos fixos estão em R$ 2 milhões mensais, além de uma mensalidade de R$ 166 mil ao Governo do Estado. Nos últimos jogos, a operação do local tem passado de R$ 300 mil.

Seja pela força econômica do mercado carioca, seja pelo costume do torcedor do Rio de Janeiro, os times da cidade têm dificuldade em encher estádios com ingressos caros, uma exigência em arenas que não conseguem render mais com outras propriedades, como camarotes e assentos VIP. É o caso do Maracanã.

No Campeonato Brasileiro de 2018, o Flamengo conseguiu uma média de público fora do comum para os padrões nacionais, com 47 mil pessoas por partida. A renda bruta, no entanto, foi a mesma do Corinthians com 15 mil pessoas a menos. O Palmeiras, com 32 mil pessoas por jogo, faturou R$ 37 milhões.

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Para o Fluminense, a situação é ainda pior. No Brasileirão de 2019, a melhor renda do time no Maracanã foi na partida contra o Palmeiras, com 21,4 mil pessoas e renda de R$ 565 mil. Neste ano, contra o Flamengo pelo Carioca, o time resolveu aumentar o tíquete médio do jogo. Com a medida, a bilheteria passou dos R$ 800 mil, mas o público pagante não chegou a 22 mil pessoas.


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