A chegada de novos clubes à Série A do Brasileirão poderá gerar um colapso no modelo de transmissão por pay-per-view da competição. Segundo o Blog do Rodrigo Mattos, Coritiba e Red Bull Bragantino não aceitaram a oferta feita pelo Grupo Globo para exibir as partidas e, assim, 28% dos jogos do torneio poderão ficar de fora do Premiere, pacote de assinatura do campeonato.

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Os dois times que subiram para essa temporada eram dois dos poucos sem acordo com a emissora no Brasileiro. O Coritiba tem contrato apenas com a Turner na TV paga, enquanto a equipe de Bragança Paulista, comprada no ano passado pela Red Bull, não tem acerto em nenhuma plataforma. E ambos seguiram o que fez o Athletico Paranaense na última temporada: abrir mão do Premiere para aumentar a receita variável oferecida na TV aberta.

Coritiba e Red Bull Bragantino duelaram na Série B no ano passado; em 2020, na Série A, seguirão o caminho aberto pelo Athletico Paranaense (Foto: Reprodução)

Em 2019, o Athletico esteve com a Turner na TV paga e com a Globo na aberta, recusando o negócio no Premiere, alegando que o mínimo garantido de R$ 6 milhões para a plataforma não era vantajoso a ele. Isso fez com que os jogos do time fossem mais frequentemente exibidos na TV aberta, já que os 20 clubes tinham acordo com a Globo nessa plataforma. No final das contas, o Athletico foi o clube com maior aparição na TV aberta, elevando em cerca de R$ 10 milhões a receita que ele teria obtido se tivesse fechado com a Globo o acordo para o Premiere.

O motivo para essa discrepância é o modelo adotado pela Globo para dividir as cotas das TVs aberta e paga, que prevê que 40% do valor pago seja dividido entre os clubes igualmente. Outros 30% são pela performance esportiva e os últimos 30% pelo número de jogos exibidos em cada uma das plataformas. Estar na TV aberta gera mais receita para os times pequenos e médios do que paga o Premiere.

Sem três times dentro da plataforma, a expectativa é de que o sistema de PPV deixe de transmitir 108 dos 380 jogos do campeonato. Isso pode obrigar a Globo a rever o valor oferecido pelo pacote de assinatura dos jogos e mexer com todos os valores que são pagos para os clubes, causando uma queda na arrecadação.

Atualmente, 38% da receita bruta do Premiere é repassado aos times, que recebem um mínimo garantido e outro valor variável conforme um cálculo de quantos torcedores do clube são assinantes do PPV. Para 2020, a Globo promete fazer uma nova divisão do Premiere, ao ter, dentro da plataforma, o número exato de torcedores de cada um dos times. Isso já deve gerar menor receita a alguns clubes. Com menos jogos e a necessidade de rever os valores, o colapso do sistema é iminente.


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