O Campeonato Paulista terá início nesta quarta-feira (22) com um esforço feito pela Federação Paulista de Futebol (FPF) que remonta ao histórico da entidade nos anos 1990 e 2000, quando foi presidida por Eduardo José Farah e Marco Polo Del Nero. A grande novidade na apresentação do Paulistão 2020 foi o anúncio de uma iniciativa para levar mais mulheres ao estádio.

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A FPF promoveu uma entrevista coletiva em sua sede para apresentar a campanha. No encontro, vetou a entrada de jornalistas do sexo masculino ao recinto, colocou para dar entrevistas apenas mulheres, que responderam apenas às jornalistas mulheres que estiveram presentes. A ideia, com a iniciativa, foi mostrar como é dura a vida de uma torcedora para frequentar o ambiente do estádio de futebol.

Foto: Reprodução / Twitter (@Paulistao)

O evento serviu para apresentar o movimento #ElasNoEstádio, que tenta ampliar a presença feminina dentro dos estádios paulistas. A ideia surgiu após a divulgação dos resultados de duas pesquisas: uma quantitativa, do Datafolha, que apontou o baixo número de mulheres nos jogos; e outra qualitativa, do Ibope/Repucom.

A primeira revelou que as mulheres representam apenas 14% do público que frequenta os estádios do Paulistão. Já a segunda indicou que o conceito familiar ou social de que um estádio de futebol não é um local adequado para mulheres é um dos principais fatores para afastar o público feminino. As mulheres relataram que lhes falta companhia ou incentivo de seu círculo social para comparecer aos jogos.

Neste primeiro momento, as principais iniciativas serão atendimento especial às mulheres nos estádios, para que possam relatar assédio, ofensas e violência; incentivo a coletivos e grupos femininos para que mulheres possam ir juntas a jogos; e um e-mail em que elas podem enviar sugestões e críticas ou denunciarem crimes ou ofensas (elasnoestadio@fpf.org.br). A campanha tem a adesão dos clubes.

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Nos anos 90, a FPF ficou marcada pelo lançamento de diversas ações voltadas para atrair mais os torcedores para os estádios. Carnês de temporada, assentos numerados, shows pós-jogo e diversas outras iniciativas foram criadas. Além disso, muitas promessas foram feitas e não cumpridas, o que gerou uma má fama para a entidade então presidida por Eduardo José Farah.

Em 2003, quando Marco Polo Del Nero assumiu a FPF, várias outras ações foram realizadas para levar famílias aos estádios. Del Nero criou, inclusive, setores exclusivos para torcedores com filhos. Em todos os casos, um dos principais objetivos das ações era reduzir a sensação de violência.


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