A realização da final da Copa Libertadores em Madrid, na Espanha, após torcedores do River Plate apedrejarem o ônibus dos jogadores do Boca Juniors, já havia sido uma ducha de água fria nas pretensões da Conmebol de mostrar sua capacidade de organizar o torneio mais importante da América.

Mas o que se viu durante a transmissão do jogo que consagrou o River campeão pela quarta vez do continente foi o brilho de uma outra entidade esportiva. A LaLiga, responsável por organizar o Campeonato Espanhol, usou a final da competição da América do Sul para promover sua marca mundialmente. A liga entregou para a Conmebol uma tecnologia usada com exclusividade por ela no futebol para mostrar replays de jogadas por meio de uma câmera em 360°. A cada vez que uma jogada era reprisada com esse recurso, aparecia a logomarca da competição e a mensagem "cortesia de LaLiga". Na transmissão do SporTV, na primeira vez em que o recurso foi utilizado, o narrador Luiz Carlos Jr. falou o nome da liga espanhola.

Foto: Reprodução / SporTV

O replay em 360° é uma das premissas de inovação tecnológica que movem a LaLiga em seu plano de crescimento de marca. Fruto de uma parceria firmada pela entidade com a Microsoft, a câmera que faz a captação de imagens está disponível apenas em oito estádios da Espanha. O Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, foi um dos primeiros a conseguir implementar essa tecnologia para as transmissões dos jogos.

Com a final da Libertadores realizada na Espanha por conta da falta de segurança dentro da Argentina, a liga espanhola acabou aproveitando a brecha para ganhar protagonismo. Além da cessão do recurso do replay, a entidade auxiliou os colegas sul-americanos em rechear de estrelas a partida decisiva. Alguns jogadores que disputam o Campeonato Espanhol estavam nas tribunas do estádio. O mais estrelado de todos era o argentino Lionel Messi, do Barcelona. Mas outros, como o francês Griezmann, o técnico argentino Simeone, o jogador da Juventus Dybala e o do Barcelona Piqué, também estiveram na plateia e foram filmados pelas câmeras.

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No estádio, por razões de segurança, as duas torcidas ficaram atrás de cada um dos gols, entrando por áreas distintas. Nas ruas, em vez do clima bélico que marcou a partida que nunca aconteceu em Buenos Aires, os torcedores circularam com tranquilidade.

No próximo ano, a final da Libertadores será disputada em partida única, em Santiago, no Chile. Segundo a Conmebol, a decisão de 2018 foi uma exceção, não havendo interesse em realizar o jogo decisivo fora do continente.


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