A Fifa anunciou que vai dobrar a premiação a ser distribuída às 24 seleções que participarem da Copa do Mundo feminina do ano que vem, na França. Mas, apesar de sair de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões, o valor ainda vem sendo bastante criticado pela FIFPro, sindicato que representa os jogadores de futebol em nível mundial, além de órgãos nacionais e jogadores individualmente.

O motivo das reclamações é que o novo valor divulgado ainda fica muito aquém da premiação distribuída na Copa do Mundo masculina. Para se ter uma ideia, no Mundial da Rússia disputado este ano, o valor total chegou a US$ 400 milhões, 12% a mais do que no Brasil em 2014 e US$ 370 milhões a mais do que será dividido pelas seleções femininas em 2019. A campeã França recebeu, sozinha, US$ 38 milhões da Fifa, enquanto a campeã do Mundial feminino do ano que vem ganhará “apenas” US$ 4 milhões.

Gianni Infantino é o atual presidente da Fifa. Foto: Reprodução

“A FIFPro nota a disposição da Fifa de aumentar o prêmio em dinheiro para a Copa do Mundo feminina e fazer melhorias estruturais para apoiar o futebol feminino. No entanto, apesar dessas mudanças, o futebol continua ainda mais longe da meta de igualdade para todos os jogadores da Copa do Mundo, independentemente do sexo. Na realidade, as mudanças significam, na verdade, um aumento na diferença entre prêmios em dinheiro de homens e mulheres. Essa tendência regressiva parece contrariar o compromisso estatutário da Fifa com a igualdade de gênero. Apoiamos fortemente nossos membros, jogadores de seleções femininas em vários países, que escreveram para a Fifa nos últimos dias expressando seu desânimo em relação à distribuição do prêmio em dinheiro”, afirmou a FIFPro, em uma declaração oficial à imprensa.

Entre os órgãos nacionais, a Professional Footballers Australia (PFA) observou que, se a seleção feminina do país, conhecida como “Matildas”, for campeã mundial, ganhará somente metade do que a seleção masculina, os “Socceroos”, receberam apenas por se classificarem para o Mundial da Rússia deste ano.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, minimizou as críticas e afirmou que o fato da premiação feminina dobrar para 2019 é “uma mensagem muito importante para o futebol feminino, que certamente impulsionará ainda mais a Copa do Mundo”.

Há quase duas semanas, a Fifa anunciou o banco francês Crédit Agricole como patrocinador do Mundial. De acordo com a imprensa europeia, ao menos três outros parceiros comerciais devem se juntar à entidade até o início do torneio, marcado para 7 de junho do ano que vem. A final será um mês depois, em 7 de julho.

Vale lembrar que, no início deste mês, a Fifa divulgou sua primeira “estratégia global” para o crescimento e desenvolvimento do futebol feminino. Entre os objetivos, há o plano de uma Copa do Mundo de Clubes feminina, além de aumentar o número de mulheres praticantes de futebol para 60 milhões de jogadoras até 2026.


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