A realização de uma etapa da Fórmula 1 no Brasil virou um jogo de cena entre promotores e autoridades públicas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Após o presidente da República Jair Bolsonaro afirmar que o Rio receberia no ano que vem a prova num novo autódromo que ainda será construído na cidade, governo e prefeitura de São Paulo reforçaram o contrato que possuem com a Liberty Media, dona dos direitos comerciais da F1, até o ano que vem. Agora, é o promotor da prova na capital paulista que colocou em dúvida a capacidade de o autódromo ficar pronto e, ainda, de o Rio conseguir pagar a conta da prova.

Em entrevista ao jornal "O Globo", Tamas Rohonyi, promotor do GP do Brasil desde 1980, afirmou que possui contrato com a Formula One Management (FOM) até 2020 para a prova acontecer em São Paulo. Além disso, o empresário disse que deverá ter de negociar com a Liberty Media no ano que vem para obter os direitos de fazer a prova. Segundo Rohonyi, o grupo vem pedindo aos promotores cada vez mais dinheiro para ceder a licença, o que tem dificultado o negócio.

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"Essa história de 2020 foi um erro a que o (presidente Jair) Bolsonaro foi levado. Alguém anuncia que, em 2021, vai fazer no Rio uma corrida de F1, num autódromo que não existe, cujo projeto, diferentemente do que aquilo que se publica, não existe. O que existe é o conceito, mas o projeto executivo que tem que ser aprovado na FIA não existe", revelou o promotor, em entrevista ao jornal carioca.

De acordo com ele, os custos para fazer a corrida são de cerca de US$ 50 milhões (algo em torno de R$ 200 milhões). Como a Liberty Media tem pedido cerca de US$ 20 milhões só pela licença da prova, Rohonyi acredita que seria inviável ter as garantias bancárias para que a competição mudasse para o Rio de Janeiro. O Brasil é o único país, além de Monaco, a não pagar uma taxa para ter o GP. Outro ponto que o empresário considera difícil para a cidade é conseguir viabilizar as licenças ambientais para construir o autódromo num curto espaço de tempo.

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Por outro lado, o presidente da FOM, Chase Carey, confirmou que negocia com as duas cidades. O Brasil é, hoje, o país com maior audiência televisiva da F1 no mundo, já que é o único em que as provas ainda passam na TV aberta.

"Temos uma boa relação com São Paulo. Mas temos que resolver o que fazer em 2021. Estamos em negociações com ambas as cidades e apreciamos o interesse, já que o Brasil é um mercado importante para nós e uma parte importante da nossa história. Estamos focados e comprometidos em continuar correndo no Brasil. Só temos de resolver qual o melhor caminho a partir de 2021", disse Carey ao UOL.


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