As decisões tomadas pela Conmebol ao longo desta terça-feira (28) ajudaram a transformar o estádio do Pacaembu num barril de pólvora na eliminação do Santos da Copa Libertadores, em partida que teve de ser encerrada antes do tempo regulamentar pelo árbitro para evitar um desastre, evidenciando a falta de preparo da entidade sul-americana em gerenciar seu principal produto.

A Conmebol decidiu, na manhã de terça-feira (28), punir o Santos pela escalação do meia Carlos Sánchez durante o jogo de ida das oitavas de final da competição. O empate em 0 a 0 na Argentina transformou-se automaticamente em derrota por 3 a 0. O veredicto foi anunciado, mas algumas horas depois, a entidade decidiu que Sánchez poderia entrar em campo para tentar reverter a derrota no tribunal.

A partir do instante em que a entidade anunciou a pena ao clube, pelas redes sociais a torcida santista começou a ameaçar a Conmebol e a prometer fazer protesto durante o jogo contra o Independiente na noite de terça-feira (28). O Santos usou seus perfis no Facebook, Instagram e Twitter para tentar acalmar o torcedor. Foram diversos posts lembrando que era preciso ter calma e apoiar a equipe para tentar reverter a desigualdade que foi provocada pela decisão nos bastidores. O esforço dos executivos santistas, porém, não conseguiu conter o torcedor no estádio.

Torcida do Santos invade o gramado do Pacaembu durante jogo. Foto: Reprodução / TV UOL

Durante o jogo, com a dificuldade da equipe em fazer o gol, os ânimos dos torcedores foram se exaltando. Faltando cerca de dez minutos para o término da partida, a torcida começou a jogar rojões no gramado e tentar forçar a invasão de campo, obrigando o Batalhão de Choque da Polícia Militar a interferir. O árbitro chileno Julio Bascuñan optou por encerrar a partida com 36 minutos da etapa final.

Alguns torcedores conseguiram pular o alambrado e acabaram sendo presos. O técnico Cuca saiu correndo pelo gramado tentando impedir que os torcedores apanhassem da polícia, protagonizando cenas tragicômicas. Após o jogo, o treinador afirmou que fez aquilo para proteger o torcedor: “Foi uma força exagerada em cima do menino, e violência gera violência. Está errado o rapaz invadir o campo, mas não precisa fazer daquele jeito”, afirmou Cuca, durante entrevista coletiva.

Agora, o resultado da partida corre o risco de ser novamente modificado. Segundo o presidente José Carlos Peres, o Santos vai recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, pedindo a revisão da pena imposta pela Conmebol. Como o jogo terminou em 0 a 0, o confronto precisaria ser decidido nas cobranças de pênaltis.


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