Há duas semanas, a Castrol anunciou a extensão de seu contrato com a Fifa para patrocinar a Copa do Mundo até a edição de 2014, no Brasil. O acordo se enquadra no projeto da empresa, que prefere o marketing global a ações isoladas e regionais. Para entender melhor esse processo, a Máquina do Esporte entrevistou, por telefone, o manager global de marketing da companhia, Donald Smith.

O executivo explicou, entre outras coisas, porque a Castrol não se empenha em patrocínios a jogadores e clubes específicos. A instabilidade desse tipo de relação, sempre exposta a possiveis escândalos, amedronta a marca, que prefere apostar em nomes consagrados como treinadores e ex-jogadores.

"A nossa principal relação é com a Fifa, que é uma marca respeitável e não nos traz esse medo. Agora ações com jogadores e clubes são mais complicadas porque não há essa confiança. O que temos são embaixadores da marca como os técnicos Arsene Wenger e Ottmar Hitfield, que se encaixam na idéia de uma companhia global", disse Smith.

Atualmente, o projeto de marketing e até os dois nomes citados se apóiam no Castrol Performance Index. Trata-se de um grande estudo de desempenho no futebol, que avalia desde quanto o jogador corre no gramado até a dificuldade de um gol. Cada quesito credita pontos aos atletas na pesquisa, que é divulgada na internet.

A idéia de uma empresa que trabalha com derivados de petróleo investir em estudos sobre a modalidade pode parecer estranha a princípio. Sem retorno financeiro imediato, a Castrol aposta na consolidação da marca no mercado, que pede, segundo a própria companhia, informações desse tipo.

"Nós fazemos pesquisas desse tipo para lançarmos o nosso produto, e estamos fazendo o mesmo com o futebol. E quando você olha as aferições sobre o espoorte vê que os fãs estão interessados nesse tipo de conhecimento especifico", disse Smith.

Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Há duas semanas a Castrol estendeu seu contrato de patrocínio com a Fifa. O que uma competição como a Copa do Mundo traz à marca?

Donald Smith: A gente tem o costume de avaliar as nossas oportunidades e a performance. O futebol pode levar a empresa à todos os lugares do mundo, e isso é importante para nós, por isso continuamos com o esporte.

ME: A Castrol, assim como outras empresas, apóia grandes competições como a Copa do Mundo e a Eurocopa mas não faz o mesmo com jogadores e clubes. Qual é a idéia dessa estratégia?

DS:A Castrol é uma marca forte, e essas competições têm apelo global, o que torna mais fácil a ativação do patrocínio. A Fifa também é uma propriedade muito forte, o que também ajuda nesse sentido. As ações universais de marketing que fazemos trazem mais resultado que as locais.

ME: Quando há um acordo com um atleta, por exemplo, um escândalo pode colocar a parceria em risco. A instabilidade dessa relação mais próxima é um dos fatores que deixa a Castrol mais restrita aos grandes eventos?

DS: A Fifa é uma organização muito responsavel e não temos muitas preocupações nesse sentido no nosso acordo com ela. Mas essa é uma razao para a gente não patrocinar atletas em um nível local, porque o risco é maior. O que nós temos são embaixadores da marca Castrol. Ex-jogadores e treinadores como Ottmar Hitzfield e Arsene Wenger são os mais conhecidos deles. Eles têm o direito de representar a marca.

ME: Esses dois treinadores foram peça importante na criação do Castrol Performance Index. Porque uma empresa de derivados de petróleo aposta em uma pesquisa sobre futebol?

DS: Quando você olha as pesquisas vê que os fãs estão interessados nesse tipo de informação especifica, que vai além do jogo em si. É muito interesasante ir atrás de mais conteúdo como esse. Nós fazemos pesquisas desse tipo para lançarmos o nosso produto, e estamos fazendo o mesmo com o futebol. Quando nós investimos nessa área, sabemos que a nossa marca vai

estar mais próximo do nosso público-alvo, que é o fanático por futebol. Com essa iniciativa, estamos criando um perfil dentro do esporte.

ME: A relação da Castrol com a Fifa agora vai até a Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil. Vocês já planejam alguma coisa para o país?

DS: Uma grande coisa que temos é o patrocínio do Mundial de 2014. Com certeza vamos fazer atividades no Brasil, mas agora ainda estamos pensando em como aproveitar essa oportunidade. Temos de estudar para enquadrar as possíveis ações ao nosso planejamento global. Por isso ainda não tenho como dizer o que vai ser. Sabemos que é importante não apenas mostrar, expor a marca. Temos que dar aos fãs mais detalhes sobre a performance dos times. Queremos sair do campo um pouco, trazendo mais valores e informações.


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