A WTorre, construtora responsável pela reforma do Palestra Itália, anunciou na última quinta-feira uma parceria com a agência norte-americana AEG para gerenciar eventos esportivos e culturais na arena. Para se adequar às peculiaridades do mercado nacional, a empresa contratada recorreu à operadora Blue Box, que passará “uma visão brasileira dos processos” que serão geridos.

Quem afirma é o presidente da Blue Box, Beto Lima, em entrevista à Máquina do Esporte. O executivo já projeta uma série de eventos que poderão ocorrer na nova arena do Palmeiras: “Ela poderá receber um grande evento musical ou um grande evento do esporte”, afirmou para se referir a modalidades como “UFC, Motocross ou X-Games”.

Para Lima, o sucesso do novo Palestra Itália deverá ser creditado a três fatores: localização, logística e conteúdo. Entre bairros nobres de São Paulo, a arena conta com linhas de ônibus e metrô, o que facilita os primeiros fatores. A AEG e a Blue Box entrariam com um novo conteúdo, o que maximizaria os lucros da WTorre e do Palmeiras.

Esses fatores seriam o grande diferencial do novo Palestra. A arena não estará sozinha para receber grandes eventos internacionais. O Morumbi, do São Paulo, já recebia shows da própria AEG, que agora terá exclusividade com o estádio palmeirense. A promessa tricolor é de modernização do espaço nos próximos anos.

No outro lado da cidade, São Paulo terá o estádio do Corinthians, provável local da abertura da Copa do Mundo e construído com foco em eventos que podem potencializar o lucro da arena. Beto Lima, no entanto, não acredita em uma concorrência direta: “Cada uma vai ter o seu perfil de mercado e público. Cada arena vai se adequar à sua localização”.

Leia a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Como a Blue Box pretende auxiliar a AEG na Arena Palestra?

Beto Lima: Cada país tem as suas características, as suas peculiaridades. O Brasil também tem as suas. A AEG é uma empresa internacional, e o nosso papel é passar uma visão brasileira dos processos. Temos que pensar em adequações do projeto, na promoção dos eventos. O papel da Blue Box está no consumidor, em indicar os melhores fornecedores de equipamentos, de serviços.

ME: Que tipos de eventos a Arena poderá receber?

BL: O projeto é inteligente, único em São Paulo pensando um projeto multiuso. Ele poderá receber um grande evento musical ou um grande evento do esporte, que não precisa ser o futebol. É o caso de UFC, MotoCross ou X-Games. Cada vez mais esses eventos ocorrem em estádios, lugares maiores. Vamos ter também um anfiteatro, fechando uma das pontas da arena. Nesse caso, serão 15 mil cadeiras cobertas, algo único na cidade. Existem artistas que precisam dessa demanda, e esse espaço é a cereja do bolo do projeto. Aberto, o estádio terá 45 mil lugares, mas para grandes shows, com o gramado aberto, pode chegar a 60 mil lugares. Por fim, haverá também um teatro de convenções.

ME: Com que frequência esses eventos poderão acontecer?

BL: Com o teatro de convenções, nós planejamos receber entre 50 e 60 eventos por ano. Os shows devem ocupar de 10 a 15 datas. Tudo isso sem atrapalhar o calendário do Palmeiras. Isso preenche o ano do local, considerando o intervalo de alguns dias entre um evento e outro. É difícil fazermos eventos seguidos, com exceção de shows de uma mesma pessoa em sequência. A inteligência do projeto é ampliar a arena para além do futebol.

ME: Quando o trabalho das agências tem início?

BL: Nós vamos começar o trabalho de agendamento na virada do ano que vem. Agora, estamos fazendo intervenções no projeto para que ele se encaixe no business plan formulado, e o projeto tenha receitas adicionais. A AEG tem a expertise de cem arenas pelo mundo, e o objetivo é receber o maior número de eventos com a maior qualidade possível para o espaço. Nós vamos estar abertos para o mercado.

ME: Como AEG e a Blue Box se dividem com o Palmeiras?

BL: A operação da arena, inclusive nas partidas do Palmeiras, é nossa. O clube fica com 100% da bilheteria e participa de toda a receita. Em cadeiras e camarotes, há algumas alternativas, como cadeira com preferência só para o jogo. Nesse caso, o Palmeiras fica com a receita total gerada nas partidas, mas em shows o local poderia ser vendido de outra maneira. A nossa entrada é para maximizar os resultados para os dois acionistas da arena, o Palmeiras e a WTorre.

ME: Qual é o potencial de São Paulo para esses eventos?

BL: O nosso potencial é para estar com a capacidade total da Arena com eventos. E o mercado de São Paulo tem demanda maior do que isso. Nós temos casas que estão ocupadas pelos próximos 18 meses, e a demanda na cidade é crescente.

ME: O Morumbi tem se modernizado e o Corinthians terá uma arena preparada para eventos. Essa concorrência atrapalha?

BL: Do ponto de vista do consumidor, ela é sempre positiva. Os locais vão proporcionar conforto e luxo em eventos. A nova arena do Palmeiras tem fatores fundamentais para triunfar. Para mim, são três os segredos para o sucesso total de uma arena: localização, logística e conteúdo. Esses três fatores são encontrados no Palestra. A AEG entra no negócio com a sua grife para dar o conteúdo à arena. Mas eu torço para que todas as outras arenas tenham sucesso.

ME: Elas não competem?

BL: Cada uma vai ter o seu perfil de mercado e público. Cada arena vai se adequar à sua localização.

ME: O Brasil tem crescido e os grandes eventos internacionais têm sido cada vez mais comuns no país. O que falta para eles se estabilizarem em definitivo?

BL: Todo esse movimento é consequência desse aquecimento econômico. Com o crescimento, o boom econômico vai acontecer, mas a falta de locais adequados para os eventos atrasam esse processo. Agora, o natural é que eles passem a existir, não só em São Paulo, mas também em outras capitais. O Brasil já faz parte das rotas internacionais, o artista já fala que quer tocar aqui. O que falta é ele poder especificar em qual local do país, em qual estrutura.


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