"No início do ano, ouvi que era um ano de Copa do Mundo em uma reunião. Ao ouvir, corrigi e disse que não, que era, na verdade, ano de Copa América. Levei uma bronca e fiquei com vergonha. Sim, era ano de Copa do Mundo. Feminina."

Com essa autocrítica, Felipe Ghiotto, diretor de marketing da Ambev, iniciou sua participação no debate sobre futebol feminino no 2º Fórum Máquina do Esporte. Durante a conversa, Ghiotto, que responde pelo Guaraná Antarctica na empresa, decidiu mostrar o quanto as marcas ainda estão atrasadas em relação ao patrocínio ligado ao futebol feminino no Brasil.

A marca da Ambev usou este ano a estratégia de "provocar" as grandes empresas presentes no país a abraçarem a modalidade, que chegou a ser replicada nos EUA pela Budweiser. A campanha do Guaraná Antarctica foi bastante comentada na Máquina do Esporte durante o período que antecedeu a disputa da Copa do Mundo entre junho e julho na França.

"Temos que apoiar o futebol feminino de forma gradativa e sustentável. Não adianta querer que o retorno seja imediato porque isso é difícil. Aí, ao não ver, as marcas desistem. Temos que começar a investir, acertar as bases e imaginar uma melhora no futuro. Existe uma evolução natural e, com o tempo, com uma nova mentalidade, vamos corrigir o erro histórico de não colocar as mulheres no mesmo patamar dos homens", ressaltou Ghiotto.

Foto: Máquina do Esporte

O painel ainda contou com as presenças de Roberta Cardoso, fundadora do Dibradoras e que serviu de mediadora da conversa; Juliana Cury, superintendente de marketing do Itaú; e Martina Valle, diretora de marca para mulheres da Nike. Assim como o Guaraná Antarctica, Itaú e Nike também são patrocinadoras da CBF e, consequentemente, das seleções masculina e feminina de futebol.

Martina trabalha no marketing da Nike há 9 anos. Destes, atua há um ano e meio como diretora de marca para mulheres, garantindo a conexão da fabricante americana com o público feminino e participando ativamente das ações e campanhas voltadas para o desenvolvimento do futebol feminino brasileiro.

"É importante acabar com o estereótipo de dar uma boneca a uma menina e jamais uma bola de futebol. Ela tem o direito de ganhar uma bola de futebol. Minha filha, por exemplo, já ganhou umas oito bonecas dos outros. Mas eu fui lá e já dei umas cinco bolas. Se ela quiser ser jogadora de futebol, darei todo o apoio", lembrou Martina.

Já Juliana Cury, além de lembrar de todas as ações feitas pelo Itaú em prol do futebol feminino, fez questão de ressaltar ainda que a marca enxerga a modalidade, tanto na versão feminina como também na masculina, como uma ferramenta de transformação social.

"Tivemos uma repercussão muito grande de tudo que fizemos em relação ao futebol feminino no ano. O engajamento nas redes sociais, por exemplo, foi muito além do esperado. Isso tudo fez com que a empresa entendesse a importância de apoiar a modalidade, inclusive sem depender dos megaeventos para isso", destacou Juliana.

Vale lembrar ainda que a abertura do painel contou com a apresentação de dados da 1ª Pesquisa Máquina do Esporte sobre o público que acompanha futebol feminino no Brasil. Nela, o CEO da Máquina do Esporte, Erich Beting, falou sobre o mercado da modalidade e ressaltou como Nike, Itaú, Guaraná Antarctica estão entre as cinco marcas mais lembradas pelos consumidores quando o assunto é futebol feminino.


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