A Record divulgou nesta quinta-feira que ofereceu R$ 100 milhões anuais para Corinthians e Flamengo pelos direitos de transmissão em TV aberta desses clubes no Campeonato Brasileiro a partir de 2012. Com isso, mais do que seduzir a dupla, a emissora de São Paulo fez uma investida para “assustar” as partes envolvidas no negócio.

A primeira meta da Record é que clubes que ainda não fecharam com a Globo evitem assinar contrato com a atual detentora dos direitos. A emissora de Edir Macedo já avisou quanto oferece para Corinthians e Flamengo, mas não divulgou o montante que pode desembolsar para fechar com outros times.

Outra ideia da Record é que o comunicado deixe em maus lençóis os times que já fecharam com a Globo. Segundo fonte ouvida pela Máquina do Esporte, a partir da oferta pública feita pela Record, esses clubes precisarão dar justificativas caso venham a assinar por menos do que o canal oferece.

Entre os clubes, porém, há outra visão. As equipes mais próximas da Globo trabalham com a possibilidade de a Record ter soltado o comunicado desta quinta-feira apenas para enfraquecer politicamente as atuais lideranças de Corinthians e Flamengo.

A Record diz que a proposta de R$ 100 milhões para Corinthians e Flamengo será registrada em cartório. Esse é um expediente fundamental para o processo, sobretudo porque a emissora chegou a falar em altas cifras nas duas últimas licitações feitas pelo Clube dos 13, mas não apresentou oferta oficial em nenhuma delas.

Por fim, a revelação do valor oferecido pela Record, na visão do canal, pressionará a própria Globo. O comunicado da emissora paulista faz uma crítica implícita à rival ao citar “clareza de propósitos e negociações à luz do dia”.

A Record ganhou força na negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) publicou determinação no ano passado para extinguir o direito de preferência da Globo no processo.

Depois disso, o Clube dos 13 chegou a estipular um ágio de 10% favorável à Globo no processo, mas essa vantagem foi derrubada pelo Cade. O problema é que, antes de a licitação ter sido concluída, ao menos 12 equipes vetaram participação na licitação.

A debandada fez com que a Globo desistisse da concorrência. Horas antes de o resultado ser anunciado, a Record também refugou, repetindo estratégia adotada em 2008, quando pulou fora após sondar os clubes dizendo que poderia subir sua proposta de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão pelos direitos do Brasileirão de 2009 a 2011. Na ocasião, a emissora simplesmente não apresentou qualquer proposta ou justificativa para não concorrer, irritando o Clube dos 13. Agora, quando desistiu da concorrência, a emissora paulista criticou o modelo de negociação adotado pelos dissidentes.


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