Uma nota divulgada no site da Confederação Brasileira de Judô no início da tarde de quarta-feira (17) pegou de surpresa representantes do governo do Distrito Federal, da Secretaria Especial do Esporte e do Bradesco, principal patrocinador da entidade. A CBJ disse que notificou a Federação Internacional de Judô de que havia decidido abrir mão do direito de abrigar o Grand Slam entre os dias 6 e 8 de outubro na cidade de Brasília. O motivo alegado pela entidade é de que não haveria dinheiro suficiente para realizar a competição.

"Foram esgotados todos os esforços relativos à captação dos recursos necessários e em tempo hábil para a realização do evento", disse a CBJ em comunicado.

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A informação caiu como uma bomba para a Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Distrito Federal e para o Bradesco, que já tinham decidido separar recursos extras para viabilizar a realização do evento, o primeiro Grand Slam no Brasil depois de sete anos e o primeiro evento internacional desde o Rio 2016.

"Não temos nenhuma dificuldade financeira de atender aos pleitos da CBJ. O governo tem R$ 3 milhões reservados para o evento. Essa era a obrigação que tínhamos com o Grand Slam, e o recurso está reservado", afirmou o secretário de esportes do Distrito Federal, Leandro Cruz, em entrevista ao Globoesporte.com.


Marca do Grand Slam de judô havia sido lançada em abril, quando Brasília foi confirmada sede (Foto: Divulgação)

Na terça-feira (16), enquanto a CBJ realizava uma reunião de conselho para definir a desistência de organizar o Grand Slam, membros da secretaria se reuniram com a equipe técnica contratada pela confederação para afinar detalhes do evento.

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Cruz, que era ministro do Esporte até o ano passado, foi um dos principais articuladores para que o evento fosse realizado em Brasília. A cidade foi escolhida em abril para abrigar o Grand Slam, que será um dos últimos a valer pontos para a qualificação à Olimpíada de Tóquio, garantindo a presença dos principais judocas.

A informação do cancelamento do evento sem um aviso prévio também assustou o Bradesco, que é o patrocinador máster da CBJ e que, segundo apurou a Máquina do Esporte, tinha programado ativações para o evento. Oficialmente, o banco diz que não vai se pronunciar sobre o caso, mas a desistência do Slam pode afetar a relação da instituição com a confederação, com quem tem acordo até 2020.

Na gestão de Paulo Wanderley Teixeira (atual presidente do COB), a CBJ organizou cinco etapas do Grand Slam entre 2009 e 2012. Em 2007 e 2013, a entidade também organizou o Campeonato Mundial. Todos esses eventos foram no Rio.

Leia a seguir a nota da CBJ:

A Confederação Brasileira de Judô notificou a Federação Internacional de Judô na terça-feira, 16, sobre a decisão de cancelar o Grand Slam de Brasília, previsto para outubro de 2019 e 2020. A decisão foi deliberada e aprovada pelo Conselho de Administração da CBJ em reunião realizada também na terça-feira, 16.

A avaliação é de que foram esgotados todos os esforços relativos à captação dos recursos necessários e em tempo hábil para a realização do evento. A CBJ entende que, com esse panorama financeiro, torna-se inviável o cumprimento do cronograma de execução do projeto do Grand Slam.


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