Chase Carey, novo presidente da Fórmula 1

Sob nova direção, a Fórmula 1 vislumbra um projeto em busca de conexão maior com os fãs através de seus canais digitais, um retorno a grandes mercados e a busca pelo entendimento entre todos os setores que compõem a principal categoria do automobilismo mundial.

Pelo menos esse é o entendimento a partir das primeiras entrevistas de Chase Carey, vice-presidente da 21st Century Fox, indicado como novo presidente da F-1 pela Liberty Media, gigante do entretenimento que comprou participação majoritária na categoria.

“No momento, queremos crescer, desenvolver nosso esporte em benefício de torcedores, equipes, parceiros comerciais e acionistas”, conta Carey, referindo-se ao fato de a Liberty Media estar presente na Bolsa de Nova York.

“Queremos aumentar a promoção e melhorar o marketing da F-1 como esporte e como marca. A ideia é melhorar a divulgação de conteúdo, especialmente nos canais digitais que representam, atualmente, uma parcela pequena no faturamento. Precisamos melhorar o calendário de provas. Temos que ampliar as parcerias comerciais, incluindo os patrocínios”, enumera o executivo, ao falar de suas missões à frente da F-1.

O foco em ampliar a repercussão nas redes sociais, investir nos GPs como entretenimento e amplificar a visibilidade do campeonato em transmissões na TV são considerados pontos-chave para rejuvenescer a categoria. Nada mais contrário ao que pensa Bernie Ecclestone, 85, que ainda mantém cargo de diretor executivo da organização, mas nitidamente perde poder, apesar de manter 14% do negócio.

Bernie Ecclestone, que manteve cargo na F-1

Há dois anos, o britânico refutou a atração do público jovem para a categoria. “Prefiro atingir um rico de 70 anos. Não há motivo para tentar atrair essas crianças porque elas não vão comprar nenhum dos produtos aqui e, se os marqueteiros estão olhando para esse público, talvez devessem anunciar na Disney”, ironizou.

Carey, por sua vez, afirmou que irá conversar com representantes de todos os setores que formam a F-1. “De maneira realista, provavelmente o que farei nos próximos meses é ouvir o que as pessoas têm a dizer e ajustar tudo isso em um entendimento comum. Temos uma vasta gama de pessoas. Por isso, é importante entender os objetivos de cada um e seus problemas”, afirmou o dirigente.

Entre as ideias do executivo está reaproximar a F-1 dos Estados Unidos, estabelecendo, em um futuro próximo, etapas em grandes mercados, como Los Angeles, Miami e Nova York.

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Para controlar a F-1, a Liberty Media comprou 35,5% dos direitos comerciais da categoria que estavam em poder da CVC Capital Partners há 11 anos. O negócio será concretizado em duas etapas. Na primeira, a empresa norte-americana adquiriu, de maneira imediata, 18,7% dessa fatia, sem necessitar de nenhuma autorização. Os 81,3% restantes necessitam de algumas aprovações, principalmente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).

Para concretizar o negócio, a Liberty Media investiu pesado: US$ 8,5 bilhões, sendo US$ 4,4 bilhões em pagamento investimento direto e US$ 4,1 bilhões em dívidas assumidas. A gigante do entretenimento é propriedade do magnata norte-americano John Malone, que também detém 29% das redes Discovery e Eurosport.

Carey está ciente de que tal montante não será pago em um curto prazo. “É claro que os lucros são importantes. Mas o objetivo final é construir um projeto de longo prazo. Assim, nossos objetivos não podem ser alcançados nos próximos 12 meses, mas onde queremos estar em três ou cinco anos”, afirmou. 


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