A disputa entre Globo e Esporte Interativo pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro poderá afetar um dos poucos produtos que ainda serve de divulgação da competição nacional: o fantasy game Cartola FC.

Em entrevista ao jornal "Folha de São Paulo", Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, declarou que o clube não fará parte do jogo a partir do próximo ano, quando começa a vigorar o contrato com o Esporte Interativo.

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"Não faremos um contrato específico para o Cartola. Portanto, o Bahia estará de fora do Cartola", disse o dirigente.

A mesma decisão deve ser tomada por Atlético Paranaense e Palmeiras, os outros dois clubes que têm acordo com o EI e que estão peitando a Globo na negociação para a TV aberta.

O Cartola é mais um entrave dentro da disputa entre as emissoras. Como a Globo ofereceu uma redução de valores na TV aberta para os clubes que fecharam com o EI, ações que poderiam ser feitas de forma conjunta para promover a competição estacionaram.

O Cartola teve, em 2017, seu melhor ano, com faturamento de R$ 13 milhões e mais de 10 milhões de times escalados. O game é sucesso principalmente entre os jovens, que, por conta do jogo, acabam buscando mais informações das partidas do campeonato.

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"O Cartola estimula, acima de tudo, o consumo das partidas e informações como escalações, performance dos atletas e tendências dos elencos, independentemente do jogo e se o time do 'cartoleiro' em si está atuando. E isso tudo é muito bom para os clubes e para o Campeonato Brasileiro", afirmou Fernando Manuel Pinto, diretor de direitos esportivos do Grupo Globo.

Dentro da emissora, há uma crença de que o Cartola ajuda a promover a competição. Não há uma relação direta entre a audiência dos jogos e o uso do game, mas ele tem sido uma aposta cada vez maior da Globo durante toda a programação de seus canais, mesmo sem ter conseguido gerar lucro até hoje.

"É um produto valioso, ferramenta de envolvimento do público, especialmente o mais jovem, com o futebol", disse Pinto.

O caso do Cartola é similar ao que acontecia com os videogames de futebol que tentavam ter direitos do Brasileirão. Até o ano passado, a CBF não negociava os direitos sobre o torneio de forma conjunta. Assim, diversos times eram "genéricos", usando nomes alternativos, mas mantendo uniformes similares. Essa pode acabar sendo a solução da Globo para o Cartola, o que também pode levar a uma pulverização na criação de fantasy games do Brasileirão, dificultando também ações promocionais.


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