Na última semana, o Aston Villa, tradicional time inglês, teve uma má notícia: a saída do investidor chinês Tony Xia. A aventura do empresário durou só dois anos, com a frustada promessa de retornar a equipe ao topo.

Xia é mais um chinês a deixar o futebol europeu após fracassos nos planos megalomaníacos. O mar de dinheiro da China tem sumido do quintal dos clubes europeus. E a ordem vem de cima.

Preocupado com a vazão desenfreada de capital, o governo chinês resolveu colocar entraves aos investidores do país. E alguns segmentos específicos ganharam maior limitação; o esporte é um deles.

O entendimento anterior era de que a chegada em clubes de futebol seria um terreno mais seguro. O presidente chinês, Xi Jinping, é um incentivador da modalidade, com apoio aberto aos times do país. Mas o plano central do político é tornar a China uma potência do esporte, e o investimento no exterior não ajuda nisso.

Os investidores passaram, então, a serem pressionados a saírem do futebol. E, após uma violenta injeção de capital nas equipes, a aposta se mostrou pouco atrativa em curto prazo.

O caso do Aston Villa é simbólico: Tony Xia comprou a equipe por 75 milhões de libras. Não conseguiu fazer com que o time voltasse à Premier League e viu os rendimentos ficarem aquém do esperado. Em julho, vendeu sua parte da equipe a um grupo egípcio por 30 milhões de libras.

Xia não foi o único a ficar no vermelho. Li Yonghong comprou o Milan por 740 milhões de euros, mas não conseguiu administrar a equipe. Sem arcar com valores de empréstimos, o desconhecido investidor chinês perdeu sua parte da equipe para o grupo americano Eliott.

Anúncio de Wanda e Atlético, em 2015 / ©Divulgação

Há alguns casos curiosos.

A 5USport, por exemplo, comprou o modesto Northampton, da quarta divisão inglesa. O grupo chinês, no entanto, não conseguiu completar um ano na equipe. Com dificuldades em repassar capital da China, a solução foi vender a equipe aos antigos donos

A saída recente menos dramática foi do Grupo Wanda, que controlou o Atlético de Madri nos últimos anos. A empresa, que até comprou o naming rights da nova arena da equipe, também teve que vender sua parte no início deste ano. Mas, nesse caso, a companhia conseguiu lucro de 17% na transação.

Segundo um levantamento do jornal americano Financial Times, os chineses investiram US$ 2,5 bi no futebol europeu entre 2014 e 2017. A fonte, porém, secou.


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