A realização da final da Copa Libertadores em Madrid, dentro da mais perfeita ordem, mostra uma triste realidade da América Latina. Parece que só quando cruzamos o Atlântico é que aprendemos a ser civilizados.

Por que é preciso irmos até a Europa para nos comportarmos adequadamente? Por que não conseguimos organizar uma partida de futebol tão tensa quanto um clássico local em completa harmonia? Sim, os europeus também possuem seus enormes defeitos. Há brigas nas torcidas (é só ver como foram as últimas semanas em alguns estádios da Europa). Mas nós, latino-americanos, parece que levamos o complexo de vira-latas a um conceito tosco, de sermos incivilizados apenas em nosso continente.

A final da Libertadores ocorrer no estádio de um clube espanhol é um contrassenso completo. Ter, ainda, a promoção do replay em 360° da LaLiga aparecendo durante a transmissão só reforça a incapacidade de nós, sul-americanos, em promovermos de forma minimamente decente um torneio de futebol nem tão complexo assim.

Para quem trabalha com esporte, não há qualquer possibilidade de celebrar o que foi feito neste ano pela Conmebol. A entidade que sempre foi palco de negócios escusos tenta, desde 2015, se reerguer de alguma forma dos escombros deixados por Nicolas Leóz e companhia nada bela.

Se quisesse realmente melhorar sua imagem, a Conmebol deveria se preparar para substituir o conchavo político pela gestão técnica. O enredo que cercou a entidade este ano foi digno de comédia latino-americana. Somos bárbaros e incapazes de evoluir como sociedade. A não ser que precisemos cruzar o Atlântico para visitar os países que nos colonizaram. Aí, comportamo-nos como bons meninos que foram à casa dos avós e não quiseram dar vexame.

Mas os próprios dirigentes que agora estão no comando do futebol parece quererem jogar contra. Boca e River jogaram com atletas irregulares na competição e não foram punidos por isso, mas o Santos foi. O técnico do River Plate, na semifinal contra o Grêmio, entrou sem autorização no vestiário do jogo. E nada aconteceu contra o clube. Na final, a barbárie dos torcedores do River contra o ônibus do Boca fez o jogo decisivo do campeonato ser remarcado quatro vezes e adiado por quase um mês.

Mas, para completar a comédia em vários atos, não basta a Argentina não ter capacidade de organizar a partida. É preciso levá-la justamente para o país que colonizou os argentinos. Foi o final perfeito para os Libertadores da América.


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