Há cerca de dez anos, Henrique (hoje Henrique Almeida, atacante da Chapecoense) despontava no São Paulo, então time tricampeão seguido do Brasileirão. Em uma entrevista a um programa de TV, lembro que me chamou a atenção o jovem atacante afirmar que o seu sonho, mais do que a seleção, era jogar uma partida da Champions League.

"Ouvir aquela música do hino, estar com os melhores do mundo ao seu lado. É algo que realmente sonho em conseguir". Foi mais ou menos isso que ele disse.

Nesta semana, duas emissoras de TV aqui do Brasil anunciaram parcerias para transmitir, em rede nacional, programas que têm como objetivo acalentar o sonho de jovens entre 16 e 20 anos de idade de se tornarem jogadores profissionais. O destino não é um clube grande aqui do Brasil, mas uma equipe do futebol da Europa.

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Se, há dez anos, parecia estranho um rapaz de 18 anos que começava a buscar um espaço no time que era o bicho-papão de títulos do Brasil já pensar em jogar na Europa, agora parece ser regra que o menino tenha como objetivo máximo da carreira prosperar no Velho Continente e, quem sabe, ter a competência de levantar a Orelhuda pelo menos uma vez na vida.

O descaso dos clubes brasileiros com seu produto, suas marcas e seus atletas cobra o preço. Hoje, não é estranho um menino pensar antes em jogar na Europa em vez de se firmar e ganhar espaço no Brasil.

Quantos são os bons exemplos de craques que se formaram lá fora e depois vieram quase em fim de carreira jogar no Brasil? Dani Alves, Rafinha e Filipe Luís são ótimos personagens dessa trama. Isso sem falar nos Rodrygos e Vinícius, que, perdão pelo trocadilho, perdemos cada vez mais juniores para o futebol organizado da Europa.

É obrigação de qualquer menino que sonha em jogar futebol hoje em dia ter como maior meta de carreira dividir o vestiário com Messi ou Cristiano Ronaldo. E a maior prova disso aparece agora, com um canal de TV aberta como o SBT criando um programa para levar um jovem para tentar a sorte no futebol da Europa. Ou com um canal só de esportes como a ESPN montar, junto da LaLiga, um programa que levará um time de brasileiros para jogar na Espanha.

Enquanto os clubes daqui ainda se preocupam com a mesquinharia de sempre, o futebol da Europa nada de braçada dentro do nosso quintal, fazendo a cabeça de nossos jovens atletas para levá-los, cada vez a preço mais baixo, para o Velho Continente.

Em uma década, sonhar com a Europa passou de surpresa para regra no mercado.


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