Aconteceu mais uma vez, agora em Portugal. Moussa Marega, ex-jogador do Vitória de Guimarães e atualmente no Porto, foi insultado com gestos e gritos alusivos a macacos por torcedores do ex-clube ao comemorar o gol que marcou apontando para sua pele. Irritado, o atleta abandonou o campo.

O árbitro da partida deu ao jogador nascido na França e naturalizado malinês um cartão amarelo por provocar o torcedor. Alguns atletas tentaram demovê-lo da ideia de sair de campo. E, no fim das contas, a partida transcorreu por mais meia hora sem a presença de Marega.

O episódio foi só mais um da série de barbaridades racistas que são cometidas em estádios da Europa e que passam impunes. O sucesso provocado por insultos racistas nos estádios europeus nesses últimos meses tem ajudado, cada vez mais, a eles se tornarem uma demonstração da barbárie que vinga em parte da nossa sociedade.

As pessoas que são preconceituosas passaram a se enxergar cada vez mais bem representadas dentro de estádios na Europa. Você não gosta de negros? Então fique tranquilo. O lugar mais seguro para demonstrar o racismo é dentro de um estádio de futebol nos dias de hoje.

Marega não deveria ter sido contido pelos jogadores. Os atletas, dos dois times, deveriam parar o jogo e só voltar quando os maus torcedores fossem expulsos do estádio. O árbitro deveria paralisar a partida e só recomeçar quando os torcedores fossem identificados e retirados do estádio. Mostrar um cartão amarelo ao jogador que xingou a torcida adversária está na regra. Assim como faz parte dela paralisar o jogo e expulsar o torcedor que promove o racismo.

O futebol da Europa, hoje, é o maior defensor do racista. Até agora, a Uefa tenta tratar o problema apenas com o marketing, esperando que isso vá ajudar a mudar a cabeça de quem é preconceituoso. Não vai adiantar nada se ela for benevolente a cada novo caso de racismo que aparece. Ou melhor, benevolente só com quem é culpado. Porque a entidade parece saber muito bem punir o jogador que revida o racismo, aplicando sobre ele as regras do jogo, sem se preocupar com o contexto da situação.

O maior risco que existe hoje para o negócio do futebol na Europa é justamente a frouxidão com que os dirigentes tratam a questão do racismo. Há 30 anos, o maior problema dos europeus era conter o avanço da violência dentro dos estádios. Foram necessárias algumas tragédias para isso mudar. Até quando terá de ir o racismo dentro de um estádio para que os dirigentes acordem para essa realidade tão incômoda?


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