O furor que a contratação de Daniel Alves causou nas redes sociais mostra como o brasileiro não está mais acostumado a pensar grande e arriscar no mercado do futebol. Ter o capitão da seleção brasileira atuando pelo seu time dentro do país é algo que hoje se transforma numa ação "irreal", para usar as palavras do próprio São Paulo na hora de anunciar sua maior jogada nesta temporada.

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Esse comportamento mostra o quanto perdemos a capacidade de ousar. Depois do sucesso da parceria Ronaldo-Corinthians, o Brasil viveu um período de crença em projetos mirabolantes com pouquíssimos efeitos práticos de retorno, especialmente financeiro. E, na última década, fomos aos poucos deixando a ousadia para escanteio.

Daniel Alves é o elemento que faltava ao São Paulo para ativar o departamento de marketing e entender que a maior parte da receita vem da exploração comercial da paixão que o torcedor tem pelo clube.

Por aqui, arriscar virou um verbo bem raro de ser conjugado. Os clubes quase sempre preferem se conformar com a mesmice do que ir atrás de algo novo. Em vez de buscar o diferente, estacionamos.

O departamento de marketing de um clube de futebol precisa ter como premissa gerar um aumento de vendas ao time. Seja em campanhas diretas de consumo, seja por meio de uma iniciativa diferente. É isso o que o São Paulo fez com Dani Alves.

Esse comportamento fez surgir uma barreira cada vez mais intransponível entre os departamentos de futebol e de marketing. Enquanto um só se preocupa em olhar para dentro das quatro linhas, o outro fica acuado fora de campo, sem correr riscos e sem fazer barulho para incomodar o berço esplêndido de quem é do futebol.

Esquecemos, porém, que o desafio do marketing é ser incômodo. Ele precisa causar barulho, romper barreiras, chamar a atenção. E isso passa por ser arriscado de vez em quando. Pensar grande e mirar grandes saltos, dentro de um plano racional, é o que pode fazer a diferença para um clube ter mais patrocínio ou mais torcedores.

Assim como Ronaldo causou barulho no futebol há dez anos, a volta de Daniel Alves num momento em que todos acreditavam que ele ainda teria mais algumas temporadas dentro dos maiores times da Europa faz acender a chama do marketing.

O São Paulo procurou seu novo reforço pelo futebol que ele pode jogar. Mas teve a ousadia de entregar o número 10 para ele, um lateral-direito, e criou um barulho acima do normal que pode ajudar a transformar essa contratação num negócio também fora de campo.


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