O atacante corintiano Ángel Romero falou bobagem após o jogo contra o Santos, em provocação ao time praiano. Mas, nesta semana, quando um pedido de desculpa era esperado, o atleta fez um desabafo importante em coletiva de imprensa: a ofensa a um time teve mais repercussão do que as ofensas cotidianas ao seu país.

Para quem acha que o jogador exagerou em seu discurso, logo surgiu mais um exemplo que dá amplitude à voz do corintiano. Um integrante do programa esportivo de rádio Estádio 97 fez, ao vivo, declarações asquerosas sobre o Paraguai. “Ele (Romero) saiu de um país que é praticamente uma aldeia indígena, onde eles movimentam a economia através de tráfico de drogas, de contrabando de arma, produtos ilegais”, declarou o radialista.

A frase, citada em rede social pelo também paraguaio Balbuena, é o ápice do preconceito e da ignorância, o que não significa que a população em geral e os meios de comunicação não desdenhem com frequência países mais pobres. Isso, claro, é refletido diretamente no futebol, com o costumeiro menosprezo a times e atletas que não sejam do eixo Argentina-Uruguai.

O problema é que a xenofobia no Brasil está tão enraizada que poucos percebem o peso da associação automática feita cotidianamente, seja do colombiano com o narcotráfico, do paraguaio com o mercado paralelo ou do argentino com o racismo.

Romero falou o que falou, do jeito que falou, porque claramente está machucado com o modo como é tratado aqui, mesmo com a idolatria em seu time. Suas palavras, portanto, não podem ser ignoradas. O esporte serve para romper barreiras do status quo, e essa é uma enorme oportunidade de criar novas imagens que destruam velhos preconceitos.


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