A cada ano, o Rio Open vai se consolidando como um dos poucos eventos esportivos do Brasil que tem planejamento de longo prazo. A chegada de uma nova edição do torneio, com novidades no plano de ativações dos patrocinadores, mostra o quanto rende frutos você ser insistente.

Depois da euforia de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, o Rio Open é o único evento que permaneceu no calendário esportivo brasileiro de forma consistente. Não por acaso, o torneio conseguiu sobreviver às mudanças do Brasil em crise, mantendo alguns de seus principais patrocinadores e praticamente garantindo, a cada saída de uma marca, a entrada de um concorrente com o mesmo ou até um maior apetite para realizar algumas ações que marcam para sempre o vínculo do torcedor com o evento.

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O que chama a atenção no caso do torneio de tênis é que ele resgata algo que era bastante comum no mercado brasileiro nos anos 1980 e 1990, mas que caiu no esquecimento de uns tempos para cá. Para ter sucesso no negócio, você precisa manter o plano de ação por um bom tempo.

O Rio Open aprendeu, após a euforia com Rafael Nadal em seus primeiros anos, que não seria factível sempre pensar em trazer um atleta midiático para seu torneio. Isso causaria extrema dependência da imagem de um ícone para a competição poder ter sucesso de público. E, pior, como não é possível prever o desempenho esportivo do atleta, o risco de fracasso era ainda maior.

Agora, a organização colhe os frutos da imagem que plantou lá atrás. Mais importante do que quem joga, é viver a experiência de um acontecimento único. Tanto que, em 2020, as marcas colocaram em prática o conceito de que o principal ativo que o Rio Open pode oferecer é um espaço para relacionamento com torcedores.

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É exatamente esse entendimento do esporte como plataforma de conexão entre marcas e consumidores que perdemos no mercado brasileiro. Historicamente, tínhamos essa noção de que precisávamos investir em eventos para as marcas se ligarem às pessoas. Nas décadas de 1990 e 2000, passamos a pensar no evento sempre como algo para a mídia consumir, esquecendo-nos de que o público precisa estar lá.

O Rio Open começa a resgatar essa condição única do esporte, de conseguir ser um atalho excelente para alcançar um nicho de pessoas. Mas isso só acontece porque o torneio chega agora à sétima edição. O lado bom da insistência é esse. Aprende-se, corrige-se o erro e melhora-se o acerto. E é assim que se faz um bom negócio.


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