O risco iminente de um colapso no modelo de pay-per-view do Campeonato Brasileiro coloca o futebol brasileiro em uma encruzilhada. Além do pino solto da granada dos Estaduais pelo Flamengo, o debate sobre como se distribui a receita do PPV coloca todo o sistema adotado aqui em xeque.

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Desde sempre, nos acostumamos com um modelo completamente subserviente à televisão. Na incompetência de gerar o seu próprio conteúdo e na incapacidade de tomar qualquer decisão em conjunto, os clubes entregaram para a TV o maior ativo que existe em uma competição, que é a geração das imagens daquele torneio.

Não apenas no futebol mas em todo o esporte brasileiro, esse sempre foi o modelo que pautou a relação com a mídia. Em vez de o esporte gerar o conteúdo e a mídia ser apenas a reprodutora dele, adotávamos um sistema que dava todo o poder às emissoras de TV. Elas não apenas pagavam para ter o conteúdo mas eram responsáveis por captar e distribuir as imagens.

Isso fez com que, historicamente, o esporte dependesse totalmente da Globo, que além de ser a maior empresa de mídia do país, quase sempre é a única com estrutura suficiente para captar as imagens.

Há dez anos, o Clube dos 13 tentou romper com esse modelo. Baseado no que acontece nos EUA desde os anos 1960 e na Europa há pelo menos duas décadas, a entidade iniciou um movimento para ela própria produzir o conteúdo e distribuir, em várias mídias, os direitos de transmissão do Brasileirão.

Ameaçada, a Globo articulou um movimento para frear essa proposta, oferecendo maior verba aos clubes a partir de um modelo individual de contrato. Seduzidos pela ideia de grana rápida e maior, os times aderiram em massa ao modelo individual. Assim, jogaram no lixo a chance de mudar uma relação de subserviência à televisão que já dura, pelo menos, 30 anos.

Agora, uma nova batalha aparece no front. Aumenta o risco de um grande apagão de jogos na mídia. Só que, ao invés de debatermos a necessidade de mudar esse modelo de venda individual dos direitos, temos cada vez mais pensado em afundarmos ainda mais nesse sistema, acabando com a obrigatoriedade de se negociar com dois clubes. Entregar apenas ao mandante do jogo o direito de escolher quem passa seu jogo é adotar o modelo que causou tantos problemas à Europa nos anos 1990 e 2000.

Hoje, só 23 de 211 países vendem individualmente seus direitos à mídia. O Brasil precisa decidir logo se ficará do lado das ligas de Laos e Lesoto ou da Alemanha e da Inglaterra.


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