Nos estertores de 2018, o Athletico Paranaense chegou a um acerto com a rede RPC para os jogos do Furacão no Campeonato Paranaense de 2019 serem transmitidos também pela TV aberta. A notícia não foi muito alardeada, mas ela é emblemática para o debate que ainda precisa acontecer no país.

O acerto é um recuo do clube após duas temporadas sem acordo com a emissora filiada à Globo no Paraná. Mas, para além disso, ele representa um trunfo para a rede nacional nas negociações ainda pendentes com o próprio Athletico, o Bahia e o Palmeiras pelos direitos de transmissão do Brasileirão para os próximos quatro anos.

O Athletico é um dos clubes que mais se posiciona favoravelmente à criação de uma liga para gerenciar o Brasileirão. E, para tanto, é um dos únicos opositores à força econômica da Globo sufocando os clubes e impedindo-os de ter certa independência.

Mas, num meio em que a maioria dos clubes sofre para equilibrar as contas, fica difícil não depender de quem geralmente responde por quase 50% de toda a arrecadação dos times, ainda mais num período de baixa de patrocínio como existe agora.

Assim, a partir do momento em que o Furacão acerta-se com a RPC no Paraná, onde há muito menos dinheiro em jogo e o poder de influência do Athletico sobre o mercado é tão grande quanto o da emissora, o sinal de alerta para os dissidentes do acordo com a Globo para o Brasileirão precisa, obrigatoriamente, se acender.

O Athletico estará sem patrocínio na camisa com a saída da Caixa. Assim, para ter um novo parceiro, o clube precisa de exposição de marca que justifique o investimento. Não faz sentido, portanto, privar-se de ter os jogos exibidos na maior emissora do estado do Paraná. Da mesma forma, a situação vale para a maior rede de TV do país.

Por mais que se tente lutar contra a força da Globo, não dá para pensar em ficar longe do poder de alcance que a emissora possui. Quanto perde o clube que não está com a marca na maior audiência do país? Sim, não é tão grande quanto já foi. Mas não existe ainda nenhuma mídia de massa tão eficiente quanto a Globo.

E é exatamente isso que está em jogo neste momento. Com os clubes tendo de sair em busca de patrocínio, parece uma tremenda loucura abrir mão da Globo. Não só pelo dinheiro que ela aportará com os direitos de transmissão, mas também pelo ganho que representa ter a marca exposta na TV aberta.

O tempo joga no mesmo time da Globo na negociação com os clubes que ainda não estão com ela. E o recuo do Athletico no Paraná mostra exatamente isso.


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