"É o maior contrato da história do clube". Geralmente essa é a frase usada pelos dirigentes ao justificarem a escolha de um novo contrato de patrocínio, quase sempre com marcas até então desconhecidas do público.

Preocupados com o fluxo de caixa, os clubes enxergam nos novos parceiros a galinha dos ovos de ouro. Mas não se atentam para o detalhe que é vital na relação das marcas esportivas com os clubes de futebol: a capacidade de entrega do parceiro.

Esses dois parágrafos acima foram retirados de uma coluna escrita por mim em 14 de dezembro de 2015, quando o Fluminense trocava uma parceria de quase duas décadas com a Adidas para embarcar em um contrato com a inexpressiva Dry World.

Naquela época, recebi um e-mail de um executivo do clube reclamando do tom que havia sido usado para criticar o negócio. Em 16 de novembro de 2016, na coluna em que relembrava essa de 2015 para falar sobre o fim melancólico do negócio do Flu, o tom foi diferente: "O esporte adora se fazer de vítima quando um caso como esse estoura, mas o fato é que ele continua a ser um paraíso para aventureiros. Qual empresa trocaria de fornecedor por um novato e desconhecido do mercado?".

Há pelo menos quatro anos, temos alertado, por aqui, o quanto o futebol brasileiro adora dar brecha para aventureiros. A necessidade do fluxo de caixa segue a ser a grande vilã dessa história. Agora, mais uma vez, uma empresa acusada de pirâmide financeira tem o nome atrelado a um patrocínio fracassado no futebol.

A CBF não pode emprestar a maior marca do futebol do país para que uma empresa desconhecida ganhe notoriedade e consiga enganar as pessoas. O absurdo é que essa história se repete anualmente, e o futebol parece não aprender com os erros.

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A promessa de um dinheiro maior do que o esperado não pode valer o risco que o futebol corre de ter sempre a imagem atrelada a negócios obscuros.

Há dois anos, o Fórum Máquina do Esporte traz, em parceria com a Kroll, debates sobre como o esporte pode se preparar melhor para conduzir seus patrocínios. O princípio básico dessa discussão é a necessidade de pesquisar antes de assinar. Por mais necessitada de dinheiro que a entidade esportiva esteja, não vale o risco de emprestar sua marca, sua massa de torcedores e sua história para um aventureiro qualquer.

O futebol precisa entender que tem um produto que confere a seus parceiros uma excelente reputação. O risco de haver um calote precisa ser sempre reduzido.


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