Por que a Nike uniria a marca de Michael Jordan ao PSG? Qual é a ligação que pode existir entre o basquete e o futebol? Por que escolher um time que ainda não é uma marca global do mesmo calibre de um Barcelona ou Chelsea?

Essas foram algumas das perguntas que surgiram em nossa redação tão logo veio a confirmação do acordo inédito, que em agosto já tinha sido bastante comentado na mídia especializada no basquete, mas que, até então, estava no campo da especulação.

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A Europa, particularmente a França, sempre foram mercados um tanto quanto espinhosos para a Nike. O país tem uma característica social-democrata forte, com importante intervenção do estado na regulação da economia. E isso é um pesadelo a uma marca acostumada com o livre mercado como é nos Estados Unidos.

Há alguns anos, porém, a França foi escolhida pela Nike para fortalecimento da marca no mercado europeu. A Alemanha já tem a Adidas e a Puma, a Itália tem várias outras marcas locais fortes, os ingleses já foram impactados pela marca... Das maiores economias do continente, a França era aquela mais difícil de atuar.

Dentro desse cenário foi que, em 2008, a Nike assinou com a Federação Francesa de Futebol para vestir os Bleus. O acordo, que só passou a vigorar em 2011, era o mais valioso do futebol mundial, pagando 43 milhões de euros por temporada.

Agora, o foco da Nike no território francês passa a ser o basquete, um esporte que tem enorme penetração dentro do país e que poderá vir a ser um dos carros-chefes da França nos Jogos Olímpicos de 2024, que acontecem em Paris. E por que o basquete?

Um dos poucos esportes globais de grande apelo em mercados enormes, o basquete ajuda a Nike a faturar. A associação histórica com os principais nomes do esporte sempre ajudou a empresa a ser sinônimo de qualidade no esporte. Só para se ter uma ideia, em vendas, a marca Jordan é maior do que o negócio futebol na Nike.

Por isso mesmo, a associação do basquete com o futebol é cirúrgica dentro do plano de expansão da Nike na Europa. Um é o esporte dominado por ela. O outro é o esporte preferido dos europeus. Unir os dois conteúdos por meio de um time de futebol que tem tudo para ser um dos maiores na próxima década é o caminho mais natural para que a marca consiga transitar bem entre os dois perfis de consumidores.

A análise detalhada dessa estratégia mostra que nunca podemos limitar a visão de um negócio às necessidades, separadas, de um ou outro personagem da história.


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