Logo quando Neymar começou a carreira, surgiam dois fenômenos: um estava no campo, outro fora dele. Além do incontestável talento no gramado, o então jogador do Santos mostrava rara preocupação com a gestão de imagem. Com auxílio do clube, ele reuniu um time profissionalizado que o transformou em astro midiático. O mercado adorou e, logo, comprou a ideia. O jovem atleta já recebia milhões, com muitos méritos. Mas algo se perdeu pelo caminho.

Independentemente da avaliação de estratégia no desabafo da Gillette, algo tem sido uma unanimidade entre aqueles que trabalham com comunicação: Neymar tem sido mal assessorado. É curioso porque há poucos anos, além da equipe pessoal, o jogador se cercou de grandes agências do esporte. A impressão que é passada no momento é que, aos poucos, o grupo do atleta foi ficando limitado ao seu pai, como qualquer outro amador.

Nesta semana, o UOL divulgou que o staff do jogador chegou a negociar uma entrevista para a Globo depois da Copa. Seria o modo mais tradicional de se recuperar com a opinião pública. Mas, segundo a reportagem, foi feita uma série de exigências do que a emissora poderia ou não perguntar; as polêmicas estavam fora de cogitação. A entrevista, claro foi recusada.

É um caso muito claro de falha do grupo que gere a marca Neymar. Primeiro, pelo claro desconhecimento de mídia. Algumas concessões para a entrevista de um grande nome podem até acontecer, sempre com enorme desgosto do jornalista, mas aimposição de assuntos é algo inexistente. Não é assim que essa indústria funciona.

E pior: não há um único assunto que Neymar deveria vetar. Ele vive uma crise de imagem, não de reputação. Não cometeu um crime, nem fez nada moralmente abominável. Ele fez uma má Copa do Mundo, só isso. A equipe do jogador precisava definir algumas mensagens-chave e ensaiar minimamente um discurso. Não existe pergunta excessivamente indelicada no caso dele, e isso deveria ser óbvio.

A situação, inclusive, está inserida nessa aversão que o jogador criou pela velha mídia nos últimos anos, e que não faz qualquer sentido para uma figura popular, para um ídolo. Hoje, ele só fala por meio de redes sociais ou por meio de publicidade. Mas o que o fez popular foi a espontaneidade, o sorriso fácil.

Recuperar imagem não é um caminho tão árduo assim. Alguém precisa mostrar o caminho para ele.


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