Patrocinar Neymar, o principal atleta do esporte brasileiro, já não vale mais a pena. Favorito do mercado há uma década, o jogador somou diversas marcas nos últimos anos e, muitas delas, permanecem com ele. Mas elas terão que tomar uma decisão importante nos próximos meses e dificilmente rumarão o caminho da manutenção de parceria. Já não há mais por quê.

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São três motivos centrais. O primeiro é o mais fácil de ser percebido: há muito tempo que Neymar se envolve muito mais em polêmicas do que em esporte; hoje, o atleta parece longe da elite do futebol mundial. A considerar apenas o último ano, o jogador virou piada na Copa do Mundo, deu soco em torcedor, recebeu suspensão por falar demais nas redes sociais e, agora, é acusado de estupro.

Neymar, na verdade, é bastante protegido por seus parceiros. Qualquer uma das polêmicas citadas já seria suficiente para uma marca romper com uma celebridade. O jogador, no entanto, parece que se mantém sob a esperança de um retorno triunfal, que o colocaria novamente nos holofotes com condição de astro mundial e herói nacional. Algo que parece muito distante neste momento.

O segundo fator está na desastrosa gestão de imagem de Neymar, algo que se repete nos últimos anos. O vídeo com as imagens da mulher que o acusa de estupro mostra o quão inconsequente são as ações de quem deveria prezar pela imagem do atleta. A marca que investe em Neymar convive com uma certeza desagradável: caso ocorra uma nova crise, ela será potencializada pelo estafe do jogador brasileiro.

Por fim, talvez o mais importante de todos: Neymar não é confiável. Quando jovem, suas polêmicas eram abafadas pela juventude, mas hoje isso não faz nenhum sentido. O jogador age de uma maneira que é difícil de entender. Dias após a agressão ao torcedor e a um mês da Copa América, o atleta chamou uma mulher desconhecida, pelo Instagram, com viagem paga, e a recebeu embriagado. E admitiu tudo isso. Independentemente se houve ou não estupro, as atitudes são de alguém pouco comprometido com a carreira, com o profissionalismo. Em bom português, faz "coisa de moleque".

Ainda ficarão empresas baseadas na tal aposta de recuperação. E pode ser que dê certo, com o retorno esportivo de Neymar. Mas isso não deveria ser suficiente. Os episódios passados e o modo como o jogador e sua equipe lidaram com as mais diversas situações não somam nada à imagem de qualquer marca envolvida.


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