O acordo do NBB com o Twitch é mais um tapa na cara do esporte brasileiro bem dado pela Liga Nacional de Basquete. Em meio ao marasmo da indústria como um todo, ainda preocupada em ver a mídia como uma sócia, e não como uma importante parceira de distribuição, o NBB mostra a incansável capacidade de dar novos rumos ao negócio quando se é dono do conteúdo.

Muitas vezes, acordos menores como o feito pela liga com o Twitch costumam ser desdenhados pelo mercado com a indagação: "quem vai querer ver isso?". É essa a típica visão tacanha que ainda costuma envolver o mercado brasileiro. Não há qualquer problema em ter de saber quem é que vai ver. O problema é não estar lá.

O maior diferencial que permite ao NBB estar em qualquer plataforma, mesmo que seja apenas "para testar" é exatamente o fato de ele ser quem produz o conteúdo. Ele não precisa ir atrás de uma empresa de mídia que tenha interesse em seu conteúdo e, daí, negociar um acordo para que essa mídia passe a gerar o conteúdo e só então poder estar presente naquele espaço, falando com o público que anda por ali.

O NBB hoje tem a capacidade de ir a uma empresa de mídia e oferecer a ela qualquer imagem e modelo de negócio para ter o basquete dentro daquela plataforma. Num momento em que ter evento ao vivo é um diferencial para qualquer empresa, o negócio que o NBB oferece é um diferencial dentro do mercado esportivo.

É exatamente a falta do entendimento dessa capacidade de entrega maior que ser o dono do conteúdo dá que atravanca o desenvolvimento de diversos esportes no Brasil.

A maior independência obtida pelo futebol na Europa foi essa. Depois que as ligas se estruturaram como empresa de mídia, o esporte conseguiu dar um salto na qualidade do produto que começou a ofertar para o mercado.

Hoje, a La Liga celebra ter 100 milhões de seguidores em suas redes sociais. Há cinco anos, os espanhóis estavam desesperados assistindo a um predomínio nas finanças enorme de Barcelona e Real Madrid que sufocava a existência de qualquer outra equipe dentro do país, provocado pela venda independente dos contratos de mídia. Nos EUA, o valor recebido pelas ligas dos acordos de mídia salta a cada nova negociação, impulsionado pela geração única de imagens e venda coletiva dos direitos.

O NBB mostra o caminho para o mercado brasileiro. Mas é preocupante ver que futebol e vôlei, os dois esportes que poderiam assumir o mesmo caminho, talvez até com resultados financeiros e de engajamento mais rápidos que o basquete, ingorem completamente isso. Quando acordar para a realidade, pode ser tarde demais.


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