Duas características aparecem no rol de patrocinadores que entraram nos gramados brasileiros nos últimos anos. A predominância de empresas quase desconhecidas. E relações pouco profissionais.

O primeiro item não desabona os clubes. Multinacionais têm deixado o futebol, que busca parceiros menores para manter o caixa em dia.

Alguns deles se beneficiaram bem da relação. Foi o caso da Special Dog com o Corinthians. De marca de ração quase desconhecida, a empresa aproveitou o esporte para se projetar e aumentar o faturamento.

Caso mais recorrente tem sido o dos caloteiros. Esses pululam nas camisas. O próprio Corinthians colecionou parceiros assim, como a Klar, marca de limpeza que nunca chegou ao mercado, e a Apollo Sports, agência que entrou e saiu em tempo recorde.

O caso mais folclórico veio com a Ordenext.com, dona do peito e da barra traseira da camisa do Botafogo. A empresa se beneficiou até internacionalmente com a boa campanha do clube na Copa Libertadores. Mas, desde que foi anunciada, em fevereiro, não pagou nenhum mês.

Para justificar tal fato, a nota oficial, divulgada pela companhia, rasga qualquer manual de gestão de crise. Afora um erro de português logo na primeira frase (“feita a mais de 15 dias”), a marca volta cometer crimes contra a última flor do Lácio ao explicar a ausência de remuneração: “Hoje mais de 40% dos Brasileiros tem problemas com pagamento, isso significa que são caloteiros?”

De pronto, Ronnie Von responderia: “Significa”.

Empresas e clubes devem ter muito claros os objetivos do patrocínio ao assinar um contrato. O time garante visibilidade à marca, cujo investimento não terá sentido se não gerar negócios. Falta profissionalismo quando isso não ocorre.


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