O fim dos canais lineares do Esporte Interativo pega de surpresa o mercado e deixa aquela sensação apocalíptica que acompanha cada novo corte em empresas de mídia. Mas a realidade é que um país com cinco diferentes donos de 12 canais esportivos não existe. A não ser no Brasil.

Com uma crescente concorrência entre grandes grupos de mídia, era praticamente inviável pensar na sustentabilidade de um projeto como o do Esporte Interativo, com dois canais e pouquíssimos produtos para preencher a grade de programação. 

Após a Turner assumir a liderança dos negócios, o leque de opções se abriu, e a solução tomada agora parece colocar a empresa num patamar que pode vir a ser bastante interessante para o seu futuro, apesar do baque sofrido neste instante.

Na segunda-feira (6), o mercado de jornalismo havia lamentado o encerramento de oito títulos da editora Abril. Em meio às lamentações, muita gente reclama que a empresa ficou parada no tempo, sem reinventar o negócio da revista, o que praticamente obrigou a essa tomada de decisão.

O que a Turner faz agora é antecipar-se aos novos tempos, evitando o mal de muitas empresas de mídia, que é se prender e se perder no passado glorioso. 

Para uma empresa que tinha dois canais e apenas uma grande competição de apelo popular, ser uma emissora não faz sentido. Já usar essa competição para fortalecer TNT e Space parece ser uma decisão que garante uma sobrevida numa TV por assinatura com cada vez menos assinantes.

Em vez de dois canais específicos de esportes, a Turner passa a ofertar ao público dois bons eventos e mais um programa diário com essa temática em canais com vários tipos de conteúdos e um alcance maior de pessoas. Isso garante alto potencial de venda de anúncio para um “pacote futebol” com custos muito mais baixos.

O fato é que não existe mercado para tanto canal de TV com programação só de esporte. Nem os Estados Unidos, com suas ligas e investimentos milionários, sustentam tantos canais. Por que o Brasil deveria ser capaz de manter tantas empresas assim?

Por motivos culturais, sonhamos com um mundo em que as empresas precisam manter suas operações mesmo que não consiga obter resultado financeiro com isso. Ver muita gente ser demitida é péssimo, mas, olhando bem, não tem sentido ter dois canais de TV se você não conseguir preenchê-los com conteúdo que seja atrativo tanto para o público quanto para o anunciante. É preciso reduzir a operação e faturar.

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