O clima de incerteza nas mídias esportivas cria uma enorme dor de cabeça para o mercado esportivo nacional. A divulgação sobre as demissões na ESPN é mais uma na sequência de notícias relacionadas aos canais do segmento, que formam um bolo de dúvidas para os principais produtos.

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Somente nos últimos meses, o Esporte Interativo deixou a televisão e o Fox Sports se viu obrigado a ser colocado à venda no mercado. Agora, a ESPN deixa claro que passará por mudanças mais profundas. Obviamente, isso não é necessariamente ruim, mas não deixa de criar apreensão e dúvida em agentes do mercado.

Ao menos em curto prazo, ligas e marcas não sabem exatamente como podem contar com os dois canais no Brasil. A ESPN, por exemplo, deixou claro apenas que "seguirá apostando no conteúdo ao vivo", mas sem ainda revelar detalhes de quais serão os caminhos escolhidos. Já o Fox Sports parece ter uma trilha ainda mais incerta, sem a definição de um comprador. Na última semana, ventilou-se a possibilidade de o próprio grupo Fox dos Estados Unidos assumir a emissora no Brasil e no México.

Quando há esse clima de incerteza, os primeiros a sofrer são os produtos esportivos, que já padecem com a falta de distribuição na mídia. Foi o caso do NBB, por exemplo, que neste ano deixou de estar na ESPN após problemas da emissora com a Caixa, que patrocinava a transmissão. A parceria com a Caixa, aliás, mostra a segunda questão. Além de produtores de conteúdo esportivo, os canais são muitas vezes usados como plataforma de ativação de patrocínio; eles são parte importante do mercado do segmento para além da função de transmitir jogos e torneios.

Não é a primeira vez que o mercado brasileiro sofre com a instabilidade de mídias. Há alguns anos, antigos meios de comunicação também tiveram que ser reformulados. Marcas como Placar e Lance! tiveram seus modelos revistos, e as empresas precisaram rever parcerias. As emissoras, no entanto, representam uma força muito maior.

No caso dos canais atuais, o futuro é muito mais promissor, e o mercado deve ser tranquilizado em longo prazo. A ESPN terá uma nova direção, mas é difícil acreditar que a Disney deixaria o canal ser esvaziado para o público brasileiro. E, mesmo em um momento de recessão, o Fox Sports mantém atrativos valiosos para os interessados. Assim como acontece com toda a mídia, é preciso paciência para alguns ajustes momentâneos, por maior que seja a apreensão gerada.


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