Desde que se aposentou dos gramados, em 2011, Ronaldo Fenômeno tem optado por caminhos em sua vida profissional que estão longe de serem os mais simples. Para quem gosta de cases de coaching, ele se tornou um bom exemplo de quem sempre deixa a zona de conforto. O mais fácil para ele seria manter apenas a imagem de ídolo, mas está claro que ele quer ir além. O problema é que isso não necessariamente casa bem com o mercado publicitário.

A decisão de se afastar da Globo deixa isso claro. Para Ronaldo, é mais importante neste momento manter a imagem intacta de dirigente. A decisão, no entanto, tem um impacto direto na manutenção do ex-jogador como destaque na grande mídia.

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Basta lembrar o efeito obtido por Gustavo Kuerten durante os Jogos Olímpicos de 2016. Estar na emissora fez reacender a idolatria do ex-tenista. E, como consequência natural, ele voltou a estar em evidência no mercado publicitário nacional.

Por parte de Ronaldo, esse é um caminho claramente definido por ele, uma decisão que já havia sido exposta na Copa do Mundo de 2014, quando o ex-atleta resolveu ser dirigente no Mundial do Brasil. Para quem escolheu ser executivo do futebol, manter o perfil mais discreto faz todo sentido. Especialmente quando ele lida diretamente com um time de futebol.

A grande questão desse movimento não está em Ronaldo, mas no próprio mercado publicitário. Hoje, ele perde mais com a decisão do jogador do que o contrário. O Fenômeno permanece como o último grande nome vencedor do futebol brasileiro, potencializado pelo carisma que sempre o acompanhou. E, graças ao sucesso no fim de carreira no Corinthians, permanece vivo mesmo para os mais jovens. É uma figura confiável, um produto valioso para as empresas. Com o perfil mais discreto, ele naturalmente fará falta.

Ronaldo, por outro lado, tem menos a perder. O jogador tem almejado ganhos maiores na vida empresarial. Inclui-se aí a difícil missão de triunfar com uma agência esportiva no Brasil e o igualmente complicado plano de engrandecer uma equipe média da Espanha. Como dito, esses não são os meios mais simples para ele, mas certamente pode ser bastante efetivo nos próximos anos. E não falta capacidade para isso.

De qualquer maneira, em tempos de Neymar em crise e de escassez de grandes nomes no futebol, Ronaldo seria um porto seguro para o mercado publicitário, como sempre foi. Hoje, no entanto, talvez ele já não seja uma opção.


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