O Flamengo alegar que está em "outro nível" para exigir mais dinheiro da televisão na transmissão do Estadual do Rio é uma das maiores piadas recentes produzidas pelas cartolas furadas que ainda estão no futebol.

Usar como argumento ser melhor do que os outros para exigir mais da TV é um contrassenso em relação ao próprio status que o clube diz ter conseguido atingir. Se o Flamengo realmente está em "outro nível", ele precisaria saber que quem determina o valor a ser pago por uma competição não é um time, mas o torneio em si. E, seguindo essa lógica pura e simples, o Estadual do Rio não justifica nem mesmo os R$ 120 milhões que a Globo já paga atualmente para poder transmitir com exclusividade.

O que o Flamengo quer dizer é mais ou menos que, pelo fato de a casa dele ter sido reformada por dentro, ter sido instalada uma internet de alta velocidade e a fachada ser limpinha, ela vale muito mais do que todas as outras que estão ao seu lado, com os mesmos problemas e defeitos que o bairro em que ele está possui.

Sim, a analogia é tosca. Mas talvez ela funcione para que os dirigentes percebam o quão tosco é usar como argumento "estar outro nível" para pedir mais da TV.

O clube realmente se distanciou de seus rivais no Rio de Janeiro. Mas o Flamengo ainda segue disputando o Campeonato Carioca, não a Champions League.

O lado bom da história é que a Globo parece, realmente, disposta a não ceder. Assim como fez com o Palmeiras no Brasileirão, a emissora começa a colocar racionalidade na compra de direitos, o que é fundamental para garantir mais equilíbrio dentro de campo e fazer o trabalho que deveria ser de clubes, federações e confederações.Enquanto a verba de mídia não for mais bem distribuída, o negócio não prospera.

Outro choque de realidade que o futebol parece ter percebido ao longo de 2019 foi o vivido pelo Corinthians no acordo com o banco BMG. O clube anunciou que a meta estabelecida pelo banco é de pagar R$ 3 milhões a cada 100 mil correntistas oriundos do clube. Até agora, em um ano, 30 mil contas Meu Corinthians BMG foram abertas. O resultado é quase 10% daquilo que o clube ousou dizer que conseguiria abrir rapidamente na entrevista coletiva em que anunciou a parceria, há um ano.

O mercado vai fazendo baixar o delírio de febre dos nossos dirigentes. Como em tudo na vida, quem determina o valor das coisas não é apenas quem venda, mas principalmente quem compra o produto. O mercado é o choque de realidade do futebol.


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