A mudança que a Nike promoveu em sua conduta com as atletas patrocinadas que ficarem grávidas mostra o quanto a questão de gênero tem tomado o centro das discussões dentro da sociedade e tem permitido algumas rápidas evoluções após milênios de atraso nessa relação homem e mulher.

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O anúncio de dois novos patrocinadores para o time feminino do São Paulo, embora no jogo final da competição e sendo as mesmas marcas que estão na camisa dos homens (o que significa menos dinheiro entrando para a equipe feminina) dá um novo alento para perceber que, finalmente, o futebol feminino é visto como produto.

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Essas duas notícias acabam mostrando que, para a mulher realmente ganhar um lugar de protagonismo dentro do esporte, é preciso que não apenas o público mas também as marcas entendam que investir nas atletas e nos esportes dá retorno.

O próximo passo que temos que dar é o entendimento de que não é preciso comparar as modalidades feminina e masculina quando queremos analisar a performance de uma determinada atleta. Assim como não comparamos esportistas de diferentes modalidades, não faz sentido querer achar que o tênis feminino precisa ser igual ao masculino, ou o futebol, ou qualquer esporte. O grande barato que existe é acompanhar uma competição saudável e imprevisível, seja o atleta do gênero que for. A essência não é o gênero de quem pratica, mas sim a beleza estética de uma competição.

Com a mídia dando cada vez mais espaço para as competições femininas sem explorar o lado sensual do corpo da atleta e focando no detalhe técnico do esporte, fica natural para quem acompanha uma competição entender que não há distinção de gênero para os atletas. A exposição da mulher como atleta de alta performance na mídia é vital para transformar a percepção que a sociedade faz do papel da esportista.

Esse primeiro passo, embora ainda seja menor do que realmente precisa ser para acabar com as injustiças, já começou a ser dado pelas emissoras de mídia. Agora, entramos na segunda fase do projeto de profissionalização da mulher como atleta, que é a percepção, por parte dos patrocinadores, de que o investimento precisa existir.

Em pouco tempo veremos a verba que é colocada para o esporte ser dividida de forma mais igualitária. Nos EUA, o futebol começou esse processo. Por aqui, só o fato de as marcas entenderem que há retorno em investir no esporte praticado pelas mulheres já representa um avanço considerável numa sociedade extremamente machista.


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