Desde a criação da Lei Pelé, a possibilidade de transformar os clubes de futebol em empresas vive em um limbo legislativo. A medida nunca saiu do papel e, ao longo dos anos, diversas oportunidades que pudessem facilitar a vida de quem gostaria de tomar essa decisão ficaram pelo caminho. O Estado, no entanto, tem obrigação de modernizar suas regras para o esporte.

Transformar clubes em empresas é uma realidade nos maiores mercados do futebol. Não tem cabimento que um time brasileiro não tenha facilidades legais para isso, visto que a iniciativa chegou até a ser obrigatória dentro da Lei Pelé. Há a justificativa que, para o Estado, a fiscalização das equipes seria facilitada com a mudança.

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Basicamente, o Botafogo não pode ter amarras legais, caso queira se transformar em empresa. Essa é uma medida absolutamente compreensível para um time que quer rapidamente levantar novos recursos e ter uma mudança imediata de gestão.

O que é importante ressaltar, por outro lado, é que a transformação em empresas não significa a solução para o futebol brasileiro. Essa imposição aos times tem sido discutida na Argentina, com bastante resistência por parte dos clubes do país.

Por lá, sobrevive a sombra do caso Racing, tradicional equipe que se transformou em empresa na virada do século. A medida visava salvar as finanças do clube, mas terminou com o acionista majoritário falido. E, no Brasil, também houve casos de insucesso, especificamente com os rivais Bahia e Vitória na década de 2000.

Ao redor do mundo, os casos mais impressionantes estão na Inglaterra. Neste século, o negócio do futebol foi impulsionado por grandes investidores, sejam grandes companhias americanas ou magnatas russos. Com o crescimento da Premier League, as equipes passaram a ser mais visadas por bilionários, e o segmento entrou em um processo de bola de neve. No entanto, vale a ressalva que o modelo não é novidade no país, com clubes-empresas há décadas. Eles apenas ganharam força no processo de profissionalização que o esporte vivenciou especialmente nas duas últimas décadas.

O ideal seria que o Estado brasileiro assegurasse liberdade para que os times tomassem suas próprias decisões, mas que tivesse formas de controle e cobrança fiscal semelhantes para todas as possibilidades. Afinal, a dificuldade de criar empresas atrasa o desenvolvimento do futebol nacional, da mesma maneira que a crença de solução absoluta por esse caminho gera mais dano do que avanço no esporte.


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