Já passou da hora de todo o mercado do futebol discutir com mais seriedade esse elefante na sala chamado Estadual. Indústria esportiva é movida a negócio e dinheiro, o que torna esses campeonatos aberrações: por que ter um produto tão grande que rende tão pouco? Isso quando rende alguma coisa...

Quando se fala no assunto, normalmente o torneio usado como exemplo é o Paulista, que agoniza há alguns anos. São ignorados, portanto, todos os outros que envolvem times grandes e nenhum rendimento. Graças ao maior esforço do Atlético, o Paranaense se tornou um símbolo disso. Televisão irrisória, média de público de 3 mil pessoas, pouquíssima atratividade. Com um detalhe: ocupa um terço do calendário de Coritiba, Paraná, Londrina e do próprio Atlético, todos das Séries A e B do Brasileirão.

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Alguns defendem os Estaduais pela sobrevivência de times do interior, mas esse é um erro. O foco das equipes no Brasileirão não é como a criação da Super Liga europeia, citada ontem neste Boletim. O sistema piramidal, defendido pela associação de ligas do continente, será mantido. Acabar com o Estadual não é isolar os times menores, e sim colocar cada um em sua devida categoria, com espaços adequados para cada um crescer dentro do esporte.

Para a Globo, o cenário parece mais claro. Os Estaduais são custosos, dão dor de cabeça e atraem pouco. Depois, a emissora tem que lidar com times reservas no Brasileirão, com a justificativa de que o calendário do futebol está enforcado. Isso quando o torneio não embaralha com partidas da seleção brasileira. O canal investe mais de R$ 1 bilhão em uma disputa que, muitas vezes, parece ficar em segundo plano. Não faz nenhum sentido.

É impressionante como uma discussão mais assertiva sobre os Estaduais tem sido postergada. E é lamentável que quem tenha que tomar essa iniciativa é a Globo que, em tese, não é dona do produto, é apenas uma parceira de mídia. Essa, aliás, é outra conversa que os clubes precisam ter: até quando vão precisar de uma babá para apontar os caminhos financeiramente mais viáveis para o futebol?

E não há mais dúvida: os Estaduais no atual formato acabaram. Nas duas primeiras rodadas do Campeonato Carioca deste ano, os quatro times grandes do Estado, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, tiveram prejuízo em seus jogos, tiveram que pagar para jogar. É uma situação vexatória que se repete no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Paraná... Chegou a hora de modelos sustentáveis.


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