O anúncio do patrocínio da Qatar Airways ao Boca Juniores reacendeu o debate sobre a incompetência dos clubes brasileiros em achar marcas de renome internacional para apoiá-los.

O discurso, porém, não considera as especificidades dos mercados brasileiro e argentino para embasar melhor um fato que é recorrente. Interesse em investir no futebol, por parte das marcas, sempre vai existir. Mas qual é o preço que se está disposto a pagar?

Parte da resposta está na reportagem sobre a entrada de novos patrocínios no futebol desde que a Caixa abriu mão de ter exposição nas costas das camisas de seus patrocinados. Em menos de dois meses, Atlético-MG e Santos encontraram um patrocinador.

Os valores mais baixos e a ótima exposição de marca da propriedade são os ingredientes necessários para convencer uma marca a fazer o aporte.

Por outro lado, na Argentina, o Boca fechou com a Qatar um patrocínio que prevê exclusividade na exposição. Os valores especulados falam em um total de R$ 18 milhões pela exposição.

O Boca é o time de maior torcida da Argentina. Além disso, está todo ano na disputa da Copa Libertadores. Mas o valor do patrocínio dele equivale ao de um clube de médio porte por aqui.

Numa estratégia de fortalecimento de marca na América do Sul, é muito mais lógico para a marca investir no Boca ou no River, que garantem visibilidade ao mercado como um todo a um preço bem menor que no Brasil.

Há duas alternativas para as equipes brasileiras. Uma é apostar em projetos de expansão de marca internacional e assim entregar maior valor ao patrocinador. A outra é reduzir os valores pedidos pelo patrocínio. O interesse das marcas existe. Resta ajustar o preço.


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