A seleção inglesa entrará em campo nesta quarta-feira (11), contra a Croácia, para decidir se, de fato, “Football is coming home”, uma esperança que há décadas ronda os torcedores do país. Mas talvez seja mesmo merecido que a taça da Fifa termine em Londres. Como mostramos nesta terça-feira (10), a Premier League carrega os melhores jogadores da Copa do Mundo, e poucos cuidam tão bem do futebol quanto a liga britânica.

A liga inglesa não é perfeita, longe disso. Ela é excessivamente elitizada, tem atmosfera mais fria do que há algumas décadas, tem um calendário caótico e, mais importante, tem um controle de gestão no mínimo questionável. Hoje, muitos dos clubes mantém magnatas, com um modelo financeiro pouco sustentável.

Ainda assim, a Premier League é hoje a melhor liga do mundo. É o torneio que apresenta melhor competitividade em alto nível. O bom futebol é valorizado em arenas, com alta ocupação. Os antigos estádios, já projetados especificamente para o esporte, têm ganhado novas versões, cada vez mais modernas.

No marketing esportivo, é a Premier League aquela mais desenvolvida. Internacionalizada, hoje a organização é parte fundamental do abastecimento comercial de suas equipes. Não é por acaso que, entre as dez equipes mais ricas do mundo, metade joga na Inglaterra. E ninguém vende tanto no exterior quanto o líder da lista, o Manchester United.

E isso é fruto de um profundo trabalho nos últimos 30 anos. Nos anos 1980, o futebol inglês era marcado pela violência e pelas tragédias de Hillsborough e de Heysel. Os casos resultaram no Relatório Taylor, em 1990, e na criação da Premier League, em 1992. Nenhum dos dois foram unanimidades, mas, seguidos com a devida seriedade, foram extremamente efetivos.

Não é o único bom exemplo no futebol. A Alemanha, campeã da Copa do Mundo de 2014, carrega consigo a popular Bundesliga, sem dúvida um bom caso do futebol. A Bélgica, eliminada na semifinal desta terça-feira (10), certamente seria outra candidata interessante.

Os campeões anteriores, por outro lado, estão longe dessa parcela de merecimento interno. A Espanha virou símbolo de desequilíbrio financeiro. A Itália enfrenta forte decadência após sucessões de escândalos. E o Brasil nem precisa ser comentado.

Os ingleses se consideram a “casa” do futebol. E talvez não seja apenas uma brincadeira de torcedor. Talvez esteja mesmo na hora de o esporte voltar ao seu berço. Afinal, o futebol não apenas nasceu no país, ele tem crescido muito por lá.


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