A Adidas escalou Anitta para comandar um treino para seus consumidores, em ação que está atrelada à compra de produtos da marca alemã. A iniciativa reforça a nova necessidade dos influenciadores: serem fortes também a ponto de transformar o cotidiano das pessoas. E das marcas.

Passada a onda de contratar influenciadores a qualquer preço e a qualquer número de seguidores nas redes sociais, as marcas constataram o óbvio. É preciso ir além de um relacionamento virtual com os consumidores. A função do influenciador é exatamente a mesma de qualquer embaixador de marca: vender.

Isso deve levar a uma onda de novas ações no mundo real de pessoas que têm uma legião de seguidores no mundo virtual. No segmento esportivo, esse movimento foi iniciado há alguns meses pela Centauro, ao criar experiências para o consumidor via aplicativo. A estratégia, que tinha como foco aumentar vendas, mostrou às marcas que existe um caminho mais útil para os influenciadores do que só usar um produto que possa interessar às pessoas.

Essa mudança de percepção da função de um influenciador também mostra que as empresas de publicidade terão de se readequar à realidade. Depois de transformarem as redes sociais em plataformas de mídia, inflacionando o mercado e forçando a busca pela audiência para ganhar dinheiro, as agências terão de tentar, finalmente, entregar além da mídia pura e simples.

Hoje, o consumo de informação é passivo. Qualquer um produz conteúdo. E ninguém mais vai atrás da informação. Assim, criar algo que faça a pessoa se mobilizar em torno de uma marca ou um produto é uma grande vantagem competitiva. A nova forma de explorar a força do influenciador mostra claramente essa mudança.

O mercado passa hoje por uma readequação. Depois da febre de se ter um influenciador a qualquer preço, passou-se a observar o que ele é capaz de entregar além de um séquito de seguidores virtuais. É, mal comparando, um ajuste que também vai precisar existir no mercado de transmissão de eventos esportivos por streaming. 

Depois de nos acostumarmos ao modelo consagrado pela TV paga, entramos numa nova era, em que tudo está ao alcance das mãos. O problema, agora, é achar demanda para tanta oferta. Ou saber o preço a ser pago para tanto conteúdo. Não há fanático que aguente gastar tanto dinheiro para ver o esporte. Agora, todos querem ter sua plataforma própria de transmissão. Daqui cinco anos, só sobrarão os mais fortes.


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