Se você pensava que o risco de termos "apagões" na transmissão do Campeonato Brasileiro fosse apenas algo momentâneo desse ano de 2019, pode esperar por novas emoções no debate sobre o que acontecerá no próximo ano.

A insegurança que existe a respeito de quem detém os direitos de transmissão de quais times para a próxima temporada é mais uma das aberrações que o futebol brasileiro segue produzindo e que prejudicam enormemente a promoção do espetáculo.

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Enquanto, por aqui, olhamos com apreensão para a lista de times que estão com contrato com as emissoras A ou B, a Espanha, que há seis anos vivia exatamente essa mesma aberração contratual, anuncia uma mudança importante na gestão da LaLiga. Para evitar que o novo presidente da entidade tenha problemas para negociar o novo contrato de mídia da competição, a liga espanhola decidiu antecipar em dez meses a escolha do novo presidente da empresa.

O argumento usado por Javier Tebas, atual chefão da liga espanhola, é o de que o novo presidente não pode correr o risco de ter que tomar, em pouco tempo, uma decisão que afeta os próximos quatro anos de geração de receita do futebol local.

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É uma mudança brusca de direcionamento do futebol espanhol e que explica, em boa parte, porque a LaLiga tem se tornado cada vez mais um torneio atraente para a mídia, para os patrocinadores e para quem é a essência de todo o negócio do esporte: o torcedor e os jogadores de futebol.

A insegurança que envolve quase tudo que diz respeito ao Campeonato Brasileiro é um dos maiores bloqueios ao sucesso comercial da competição. Não saber qual emissora transmite o torneio, ter de olhar a tabela e montar um quebra-cabeça para determinar quais os dias em que as partidas serão realizadas para que todos possam ter acesso ao evento é de uma estupidez tremenda considerando que estamos em 2020.

É extremamente salutar para o esporte que tenhamos mais de uma emissora transmitindo uma competição. Só que, da maneira como os clubes estão fazendo, é cada vez mais bizarra a situação que se apresenta para nós ano após ano.

Mais engraçado, para não dizer triste, é ver que os clubes começaram, de novo, a reclamar da divisão das cotas de televisão, dessa vez atacando o sistema do pay-per-view. Em vez de se unirem para resolver o problema, preferem chorar com cada um olhando seu próprio problema. O duelo entre as TVs tem de servir para o mercado se beneficiar, e não para os clubes só olharem para si, sem se interessar pela saudabilidade do mercado.


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