O rei está nu. A decisão da Globo de não mostrar o replay do lance enquanto a arbitragem não definisse, dentro de campo, o que tinha acontecido na jogada, desmascara não apenas a hipocrisia dos árbitros em dizer categoricamente que não há interferência externa para tomar decisões.

A lambança desmascara todo o sistema capenga do futebol brasileiro.

A principal competição esportiva do país tem duração de oito meses, é composta de 380 partidas e movimenta, por baixo, cerca de R$ 2,5 bilhões por ano. Mas quem é responsável pela gestão do Campeonato Brasileiro de futebol?

Mais do que revelar que os árbitros fazem uso do recurso de vídeo para tomar decisões, mesmo isso sendo considerado ilegal pelas regras, quando um jogo fica parado por sete minutos para seis pessoas decidirem se o gol valeu ou não, mostramos que o futebol não tem nenhum comando.

Nunca a emissora de televisão deveria ser a geradora das imagens dos jogos da competição. O dono do torneio é quem deve captar e retransmitir as imagens para seus parceiros de transmissão. Sem isso, ele se torna refém de quem transmite.

Essa é a premissa básica de qualquer torneio minimamente bem organizado. Os donos do evento captam as imagens. E as revendem para quem estiver interessado. Isso dá mais trabalho à entidade, mas na ponta final gera muito mais dinheiro a partir da redução dos custos das emissoras.

Em qualquer campeonato que tenha faturamento bilionário como o Brasileirão, as emissoras de TV têm à disposição diversas imagens geradas pela dona da competição e escolhem, entre elas, aquelas que serão exibidas para o telespectador. Por aqui, por total incompetência dos nossos gestores, a Globo é quem produz tudo. E a CBF? Essa fica sem poder preservar os próprios erros humanos de sua arbitragem e, assim como um telespectador, fica sem poder para tomar qualquer decisão sobre o produto.

O Brasileirão é um dos poucos torneios em que a entidade que é responsável por ele não é quem negocia as propriedades comerciais da competição, mas mesmo assim precisa arcar com os custos de organização do evento. Além disso, ela também não é quem detém e gera as imagens dos jogos. E, mais ainda, não consegue capacitar seus árbitros para tomadas de decisão sem precisar de auxílio externo de imagem.

O futebol brasileiro está nu. O que aconteceu em Internacional x Santos não serve só para repensar a atuação da arbitragem, mas toda a gestão do principal campeonato do país.


Notícia Futebol interferência externa arbitragem VAR Brasileirão Internacional Santos CBF SporTV Grupo Globo