Alguns clubes e, por consequência, alguns torcedores adoram pintar a Globo como principal vilã do futebol brasileiro. Na visão deles, a emissora é responsável por contratos desiguais e horários ruins, entre outros fatores. As afirmações, no entanto, escondem a verdade: no futebol brasileiro, o grupo de comunicação é o braço mais profissionalizado. Com sobras. E, justamente por isso, vem da empresa, atualmente, o sopro de esperança por um esporte mais organizado.

Em entrevista à Máquina do Esporte, o diretor de direitos esportivos da Globo, Fernando Manuel Pinto, deu a dica para os times brasileiros: "existe um propósito maior, gigantesco, que deveria bastar para uni-los: o desenvolvimento institucional e comercial do futebol". Ou seja, no momento, a única entidade que tem falado sobre o real passo de modernização do esporte é a tal emissora que adoram tornar vilã por aí.

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Obviamente, não é uma conversa desinteressada. O que aconteceu neste ano, com contratos fechados ao longo do Campeonato Brasileiro, foi completamente bizarro. Graças à incapacidade dos times de se organizarem em conjunto, a Globo investiu bilhões sem ter todas as equipes. Na rede fechada, há um limbo de partidas, uma situação surreal em que nenhuma das partes saiu vencedora. Uma várzea.

E, mesmo assim, a iniciativa de formação de liga não surgiu. A diretoria do Palmeiras, que se gabou de enfrentar o gigante, não sinalizou qualquer empreitada neste caminho. Caminho que, por sinal, seria o único que realmente poderia revolucionar o modo como o país enxerga a atrasada indústria do futebol.

O assunto surgiu pela Globo, assim como a divisão técnica dos valores de televisão foi uma proposta da emissora. Foi um empurrão que, caso os dirigentes em geral fossem mais sérios, teriam vergonha de ouvir. E ela tem que dar o sermão porque a atual negociação é um caos e forma um verdadeiro jogo de perdedores.

A Globo é interessada nesse avanço porque sabe que ele é fundamental para o desenvolvimento do futebol, como citou Fernando Manuel Pinto. É em grupo que os times podem pensar em internacionalização, em produtos licenciados, em patrocinadores em conjunto, em negociações com entidades públicas. É também em grupo que os clubes podem se sentar com a emissora em condição de igualdade, longe das conversas fiadas que ocorreram nas últimas semanas. Desse modo, pode-se conversar sobre questões que porventura incomodem torcedores. E sem vilões em cena.


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