Não é preciso trabalhar com evento esportivo para saber da importância da televisão para a venda de patrocínio. E, quando o acordo acontece com a Globo, é um milagre da multiplicação: o produto ganha um peso completamente novo dentro do mercado, com enorme valorização.

De forma geral, a Globo é uma força fantástica para o mercado esportivo brasileiro. Além das audiências altas, a emissora entrega a promoção do evento, o que resulta em público e patrocinadores cada vez mais engajados.

O problema é que, no atual cenário, a Globo anda sozinha. Não há nenhuma outra emissora que tenha a mesma entrega. Aí, o que era para ser uma parceria sempre vantajosa, acaba se transformando em um problema para agentes esportivos.

É o caso do Mundial de judô. A federação internacional ficou em uma sinuca comum no esporte brasileiro: ter a força da Globo ou bater o pé pelos valores desejados? Como as outras opções mostram uma diferença muito grande, a dúvida perde força. No caso do judô, o mercado brasileiro é importante, então adequa-se a negociação aos termos da emissora.

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O episódio foi semelhante ao da Liga dos Campeões. Mas, nesse caso, optou-se por abrir mão da Globo. Com a decisão, a Uefa ficou com uma audiência absolutamente incomparável em uma das dez maiores economias do mundo. Invariavelmente, o consumo de futebol europeu irá diminuir no Brasil nos próximos anos, sem a presença da emissora carioca.

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E não são só os eventos e ligas de fora que sofrem com essa encruzilhada. Há constantemente players no Brasil que convivem com o dilema entre partir para um projeto novo, com um potencial futuro financeiramente mais atrativo, ou fazer parceria de mídia com a Globo, com o grande conforto que envolve a presença da emissora. Hoje, não há segunda via e não há nenhum indício de mudança.

Isso não é um problema do esporte ou da Globo, mas do mercado de mídia do Brasil que se configurou dessa maneira. Há alguns anos, a Record tentou tomar parte desse espaço, mas a falta de fôlego acabou explicitando a força do canal rival.

O cenário ideal seria o mercado americano, com alguns grupos de mídia equivalentes na televisão aberta. Não é por acaso que atualmente três emissoras dividem o maior produto esportivo do país, a NFL, com revezamento do Super Bowl. Com níveis parecidos, quem mais ganha com isso é o esporte dos Estados Unidos.


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