Há uma certa arrogância, ou miopia, dos gestores do futebol brasileiro: eles parecem acreditar que a paixão pelos times é suficiente para chamar e reter torcedores. Mas, como constatou o Datafolha neste ano, o desinteresse do brasileiro pelo esporte é crescente, e claramente a fórmula de sustentabilidade dessa indústria não tem funcionado bem.

No mercado americano, um dos artifícios para chamar novos torcedores são os eventos festivos, fora da temporada regular. Esse é um caminho usado há décadas, um recurso que ligas como MLB e NBA não têm receio de usar. Elas exaltam o esporte e criam boa oportunidades comerciais.

Nesta semana, por exemplo, foi a vez da MLB, a liga de beisebol dos Estados Unidos, usar o recurso. O All-Star Game tem uma curiosidade: há alguns anos, ele ganhou uma importância esportiva, já que o vencedor entre as conferências determina os mandos da final do torneio. A decisão foi feita no início dos anos 2000, quando começou a ter um maior desinteresse pelo evento. Deu certo: o jogo ganhou força após a decisão.

A Fox, que detém a transmissão deste ano nos EUA, fez ampla campanha. O evento tem um patrocínio próprio, a apresentação da MasterCard. O encontro realizado em Washington nesta temporada contou com uma Fan Fest, devidamente abraçada pela seguradora Geico.

O evento não é uma garantia de sucesso, claro. Nesta temporada, por exemplo, as audiências da Fox não foram boas. Ainda assim, ele existe há quase nove décadas; a MLB tem clara a ideia de que esse é um recurso significativo para angariar novos fãs, de apresentar o esporte da melhor maneira possível para públicos diversos.

Hoje, no calendário infernal do futebol, parece difícil começar a pensar em algo do tipo. Mas isso deveria acontecer. É uma forma de melhorar a imagem do esporte, além de criar um ápice no meio da temporada, no momento mais morno do esporte.

Para quem duvida da eficácia desse modelo no Brasil, uma rápida olhada no basquete tira qualquer dúvida. Hoje, o Jogo das Estrelas do Novo Basquete Brasil é um dos principais eventos esportivos do país. Além de atrair fãs para o torneio, ele se transformou em uma poderosa ferramenta de comunicação. Para o NBB, a festividade é um modo de ampliar a entrega a patrocinadores e ainda se aproximar de novas marcas. Um absoluto sucesso.

Não é um modelo fechado, longe disso. O que o futebol não pode fazer é simplesmente ignorar a possibilidade de criar atrações, tanto para o público quanto para o mercado.


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