Das duas, uma. Ou o futebol no Brasil começa a regredir substancialmente, ou estaremos mostrando ao mundo uma nova forma de se destacar na gestão de uma competição ao tirar o Campeonato Brasileiro da TV.

No ano que vem, quase metade dos jogos da Série A do Brasileirão não poderá ser vista na TV paga, sendo que mais de 60 jogos não terão qualquer transmissão. O descaso dos clubes, preocupados com seu próprio umbigo e não com o campeonato, pode levar o Brasileirão a uma situação muito peculiar: diminuir de tamanho, mesmo não tendo qualquer concorrente para fazer frente a ele dentro do mercado nacional.

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Na semana passada, durante o 1° Fórum Máquina do Esporte, o painel de debates que trouxe representantes da La Liga e do UFC mostrou que as ligas estrangeiras olham o Brasil com apetite por ser um país que de engajamento com o esporte. E, na visão de ambos, para o número de fãs aumentar, é preciso investir maciçamente no produto, tanto na qualidade quanto na quantidade da oferta para o público. 

O maior risco ao Brasileirão, sem ter um acordo único de mídia, é ter um torneio esvaziado pela falta de divulgação, pela dificuldade em acompanhar os jogos e pela nossa incapacidade de montar um produto que seja atrativo para o público.

Enquanto os clubes olharem apenas para as suas necessidades, sem colocar os interesses do campeonato à frente dos problemas individuais, cavaremos, lentamente, a própria sepultura do futebol nacional. É só ver como a Copa do Brasil começa a despontar desde que passou a ser um produto "com dono", enfileirando patrocinadores e tendo um ótimo trabalho de engajamento com o torcedor via redes sociais.

Quem olha pelo Brasileirão? Estamos muito próximos de uma situação em que, no ano que vem, apenas 14 jogos do time que foi campeão nacional de 2018 poderão ser acompanhados pela televisão. O Palmeiras, preocupado só com ele próprio, se coloca contra seus patrocinadores e até seu torcedor, privando-os de acompanhá-lo para além do campo de jogo em 24 jogos da próxima temporada. E os demais clubes, em vez de demonstrarem preocupação com o fato de ter um campeonato que não é visto, preocupam-se apenas em saber quanto está entrando da verba da televisão no caixa.

Ao que tudo indica, é desastrosa a estrada que o Campeonato Brasileiro começou a trilhar. Mas, do jeito que o Brasil é capaz de nos surpreender, pode ser que até maio do ano que vem isso nos coloque na vanguarda da gestão esportiva mundial...


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