É comum no mercado esportivo brasileiro o discurso de que times nacionais perdem espaço para os europeus. Sem nenhuma dúvida, há um grande peso do velho continente, mas, financeiramente, essa carga não chega ao seu maior potencial. E isso porque o torcedor do país está longe de ser o mais próximo das equipes.

Diretamente, não há muitos caminhos do europeu faturar com o brasileiro. O brasileiro não é sócio, não compra ingresso e a venda de licenciados gera uma receita bastante limitada. O caminho para ganhar dinheiro aqui é o mesmo de qualquer país mais longe: patrocínio e televisão.

O problema é que essa fragilidade do torcedor brasileiro, mostrada pela pesquisa do Ibope/Repucom, dificulta esse caminho. A fidelidade do fã está mais ligada ao ídolo, e esse dificilmente tem uma casa fixa. E, sem ele, a bases para o Brasil ficam fracas.

O Barcelona é um caso típico. O time teve sequência de grandes atletas brasileiros no elenco, por isso goza de lugar privilegiado no carinho do torcedor. Ainda assim, a equipe sofrerá um baque com a saída de Neymar. O time, por exemplo, já perdeu bastante espaço na televisão aberta, que hoje privilegia o Paris Saint-Germain.

Sem exposição, o time perde o mercado brasileiro, pelo menos para patrocínios. E dificilmente terá acordos específicos para a região, como aconteceu recentemente, com a Gillette para a América Latina e, principalmente, com a Baruel para o Brasil.

Aqui, diferentemente de mercados como o asiático, os torcedores têm sim um time. Os europeus aparecem aqui como um devaneio do melhor futebol do mundo. E isso não forma a base mais consistente para negócios.


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