A Federação Paulista de Futebol (FPF) lançou, nesta terça-feira (21), uma campanha muito bem-vinda para os campos do estado. Chamada de "#ElasNoEstádio", a ação buscou pesquisas sobre o porquê da pouca presença feminina nas arenas e criou algumas iniciativas para inverter esse quadro.

Basicamente, mulheres não se sentem seguras e raramente têm a ida ao estádio como um hábito social. A FPF irá, então, em parceria com os clubes, criar canais de comunicação e incentivos a coletivos de torcedoras para irem às arenas.

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A federação se baseia em um dado do Datafolha que aponta que apenas 14% do público dos estádios é feminino. Ou seja, como já se imaginava, há um enorme potencial de mercado que, de forma geral, é pouquíssimo explorado por clubes e entidades esportivas. Muitas vezes, aliás, há deslizes graves, seja com peças de comunicação machistas ou até mesmo com ausência de produtos licenciados para mulheres.

Logo, é elogiável que a FPF dê esse passo, que certamente pode servir de instrução aos clubes para que vejam esse público com muito mais carinho.

Por outro lado, é curioso o interesse da FPF por mais mulheres nos estádios quando muito pouco se faz para que tenham mais torcedores, homens ou mulheres, nas arquibancadas das arenas paulistas.

Há diversas pesquisas que apontam o porquê da ausência do torcedor. No fim de 2019, por exemplo, a agência Novas Arenas fez um levantamento do tipo. Os cinco principais motivos apontados foram segurança, transporte, presença da televisão, desempenho do time e preço do ingresso.

O que a FPF ou qualquer outra entidade do futebol brasileiro fez para amenizar essas questões? O melhor exemplo está no último item, o preço do ingresso. A Federação Paulista impõe um valor mínimo de R$ 40 para a competição. No Paulistão é assim: a entrada tem que ser necessariamente cara, o que não faz nenhum sentido.

Não é o único fator. Basta lembrar por exemplo que, neste ano, o atual tricampeão Corinthians estreia no torneio em uma quinta-feira, às 21h30, contra o Botafogo de Ribeirão Preto. Todos os outros itens são atingidos, seja na segurança, na dificuldade de pegar o metrô ou na qualidade do produto apresentado. Não há campanha da federação por alternativas de transporte ou por horários minimamente razoáveis em seu principal torneio.

Em resumo, fazer dos estádios algo amigável às mulheres é uma questão urgente. Mas deveria fazer parte de um projeto maior para aumentar a média do público em geral.


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