Há alguns anos, um diretor de marketing de uma das grandes equipes brasileiras esbravejou em um evento sobre marketing esportivo: "Colocar a culpa da pirataria nas mãos dos clubes é uma baixaria. Pirataria é caso de polícia. Não tem nada que o clube possa fazer".

Trata-se de um pensamento comum entre as equipes e que, sem dúvida, tem sua dose de razão. Mas, na última década, houve uma série de iniciativas para tornar os licenciados mais acessíveis. E, agora, o Fortaleza dá uma demonstração de que há, sim, ações próprias ainda mais agressivas.

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O time cearense parte da premissa de que o preço alto é o principal fator que leva um torcedor a abrir mão de um produto original para comprar um falsificado. Algo compartilhado por outras equipes do futebol nacional. Nos últimos anos, foram vários os esforços para facilitar o acesso a camisas oficiais, especialmente com licenciados que simplesmente não existiam há uma década. E até mesmo o uniforme de jogo teve um freio nos preços abusivos, algo provocado pelo próprio mercado.

Por parecer uma premissa bastante razoável, a ação do Fortaleza tem tudo para ser bem-sucedida. O torcedor poderá ter o uniforme de jogo oficial e por um preço acessível. Sabe que terá uma qualidade superior e, por isso, mesmo que o valor ainda seja mais alto, é natural a preferência pelo novo produto ofertado.

O curioso na ação é a parceria com vendedores ambulantes. A iniciativa deixa claro que o preço não é a única questão quando se fala em combate à pirataria, uma vez que a distribuição também é um drama. Às vezes, o torcedor não optará pelo pirata porque é mais barato, mas porque é o único meio dele chegar ao produto. E a facilidade com que os ambulantes chegam ao consumidor é para fazer corar qualquer dirigente.

Todos os times brasileiros sofrem com a parca distribuição de licenciados, mesmo os grandes, com marcas gigantes do esporte mundial. Aqueles com marcas próprias, caso do Fortaleza, têm a tendência de sofrer ainda mais. É, provavelmente, a principal desvantagem da estratégia adotada por diversos clubes brasileiros nos últimos anos.

Nos próximos meses, será interessante observar como caminhará o caso cearense. Financeiramente, está claro que não será uma manobra fácil, com uma margem bem menor do que a normal. Por isso mesmo, será importante saber a eficácia da ação, se ela de fato fará diminuir a presença dos produtos piratas. De qualquer maneira, o clube mostra que é possível criar ações que possam reduzir esse problema.


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